Por que o bolsonarismo tem dificuldade para atrair o voto de mulheres

Por que o bolsonarismo tem dificuldade para atrair o voto de mulheres

A diferença no comportamento eleitoral de homens e mulheres atingiu um novo patamar nas projeções para a eleição presidencial de 2026 e, na avaliação do cientista político Fábio Vasconcellos, deve influenciar diretamente a estratégia das campanhas. Durante o Veja em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o analista do Núcleo de Dados de VEJA afirmou que a separação entre os dois grupos, observada desde 2018, tornou-se mais intensa ao longo das últimas eleições. (este texto é um resumo do vídeo acima)

“Até 2014 ela não apresentava tanta diferença entre homens e mulheres. Em 2018 isso começa a aparecer, em 2022 se confirma e, em 2026, por enquanto, isso se consolida numa magnitude muito maior do que a gente até então vinha acompanhando”, afirmou.

Por que a direita enfrenta um desafio maior?

Segundo Vasconcellos, esse novo comportamento do eleitorado impõe um desafio especialmente ao campo conservador.

“Isso traz, com certeza, desafios para as campanhas, em especial a campanha do campo da direita”, disse. O cientista político observou que esse cenário ajuda a explicar a importância de lideranças femininas dentro do grupo político bolsonarista. Ao citar Michelle Bolsonaro, afirmou que ela “foi uma figura que arregimentou muitas mulheres para o partido e que poderia trazer um discurso para esse segmento do eleitorado”.

A avaliação de Vasconcellos ocorre em meio ao desgaste na relação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama tornou pública uma série de críticas ao enteado, afirmando em vídeos publicados nas redes sociais ter sido tratada com desrespeito por ele e pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Poucos dias depois, anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, cargo que disse deixar para se dedicar aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Ao mesmo tempo, ressaltou que o desafio não é exclusivo da direita. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também precisará buscar maior apoio entre os homens, que hoje demonstram maior inclinação por candidatos desse campo político.

O que explica a maior identificação das mulheres com a esquerda?

Para Vasconcellos, o Brasil reproduz um movimento observado em outras democracias. “Os Estados Unidos passam por esse fenômeno. As mulheres estão votando mais com os democratas e os homens mais com os republicanos”, afirmou.

No caso brasileiro, o cientista político apresentou algumas hipóteses para explicar essa tendência. Segundo ele, a mudança começa em 2018 e pode estar relacionada ao discurso adotado por Jair Bolsonaro durante aquela campanha.

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“Provavelmente, ou possivelmente, a retórica muito incisiva de Jair Bolsonaro, a campanha armamentista, talvez tenha criado uma identificação com a base masculina muito mais forte do que com as mulheres naquele momento”, disse. Vasconcellos acrescentou que também havia críticas à forma como Bolsonaro se dirigia às mulheres, incluindo jornalistas e repórteres, e avaliou que “essa retórica permanece no campo da direita em 2022”.

Quais outros fatores ajudam a explicar esse comportamento?

O cientista político ponderou que o voto feminino não pode ser explicado por um único fator. Segundo ele, há diferentes perfis de eleitoras que encontram motivos distintos para apoiar candidatos de esquerda.

Ao citar mulheres dos centros urbanos, Vasconcellos lembrou pautas relacionadas à igualdade salarial, à participação política e à ampliação de direitos. Já entre mulheres de regiões periféricas, destacou a importância das políticas sociais. “São mulheres periféricas, geralmente negras, que dependem bastante do Estado, do Estado acolhedor, do Bolsa Família. São elas que administram em casa, então elas preferem um Estado mais acolhedor”, afirmou.

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Ele também apontou um aspecto comportamental. “As mulheres têm uma tendência a rejeitar mais a política belicosa, a violência verbal. Elas preferem muito mais a conversa, a negociação, a pacificação.”

O que esse fenômeno pode significar para 2026?

Embora ressalte que ainda é cedo para projetar o comportamento do eleitorado até o segundo turno da eleição, Vasconcellos considera que a consolidação desse recorte por gênero merece atenção.

“Esse, sim, é um fenômeno que a gente vai ter que acompanhar com mais atenção”, afirmou. Para o cientista político, quando o gênero passa a antecipar o comportamento eleitoral, isso indica que transformações mais profundas estão em curso na sociedade e tendem a influenciar as estratégias dos principais candidatos à Presidência.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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