Por que Flávio Bolsonaro tem o que comemorar na nova pesquisa Genial/Quaest

Por trás do recuo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto, conforme pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10, esconde-se uma boa notícia para o senador: nenhum outro candidato da oposição avançou significativamente junto ao eleitorado. A despeito da queda, o filho “Zero Um” de Jair Bolsonaro mantém a hegemonia na direita como único nome com força para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas, em outubro.
Em relação ao levantamento anterior da Quaest, publicado em maio, Flávio Bolsonaro caiu quatro pontos percentuais no primeiro turno e três pontos em confronto direto contra Lula no segundo turno. O recuo é atribuído tanto ao escândalo “Dark Horse”, que revelou mensagens trocadas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, quanto à ameaça de um novo tarifaço pelos Estados Unidos, anunciada dias após uma visita de Flávio e Eduardo Bolsonaro ao presidente Donald Trump, na Casa Branca.
Por outro lado, os principais nomes da direita na corrida presidencial seguem estagnados na pesquisa. Na comparação com maio, Romeu Zema (Novo) recuou dois pontos percentuais, Ronaldo Caiado (PSD) caiu um ponto e Renan Santos (Missão) oscilou um ponto para cima, enquanto Aécio Neves (PSDB) estreou no levantamento de junho com 2% do eleitorado — somados, os presidenciáveis da direita acumulam pífios 10% das intenções de voto.
Presidente — 1º turno (cenário único)
- Lula (PT): 39% (não variou)
- Flávio Bolsonaro (PL): 29% (eram 33%)
- Renan Santos (Missão): 3% (eram 2%)
- Ronaldo Caiado (PSD): 3% (eram 4%)
- Aécio Neves (PSDB): 2% (não havia sido testado)
- Romeu Zema (Novo): 2% (eram 4%)
- Augusto Cury (Avante): 1% (não variou)
- Joaquim Barbosa (DC): 1% (não havia sido testado)
- Samara Martins (UP): 1% (não variou)
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 0% (não havia sido testado)
- Edmilson Costa (PCB): 0%
- Heró Bezerra (PRTB): 0%
- Indecisos: 10% (eram 5%)
- Branco/Nulo/Não vai votar: 9% (eram 10%)
Também nas simulações de segundo turno contra Lula, as alternativas a Flávio Bolsonaro permanecem estacionários: Caiado manteve os 35% das intenções de voto da pesquisa anterior, enquanto Zema, que tinha 37%, caiu para 35%. Apenas Renan Santos cresceu, passando de 28% para 31%. Os demais não foram testados em confronto direto contra o atual presidente.
Mesmo os números de rejeição eleitoral aos presidenciáveis, ranking que Flávio lidera com 56%, trazem alguns sinais positivos para o senador. Zema e Santos aumentaram em rejeição e Aécio estreou com 54%, quase empatado com o “Zero Um”. Caiado não variou entre maio e junho.
Presidente — Rejeição eleitoral
- Lula (PT): 53% (era 53%)
- Flávio Bolsonaro (PL): 56% (era 54%)
- Aécio Neves (PSDB): 54% (não havia sido testado)
- Ronaldo Caiado (PSD): 32% (era 32%)
- Romeu Zema (Novo): 29% (era 27%)
- Renan Santos (Missão): 20% (era 19%)
A avaliação é que a polarização entre petistas e bolsonaristas continua forte no cenário eleitoral: mesmo com a imagem manchada e as intenções de voto reduzidas, Flávio Bolsonaro segue como a aposta do eleitorado de direita para derrotar Lula no pleito. “Os outros nomes da direita não conseguem melhorar seu desempenho contra Lula a ponto de serem mais competitivos que Flávio”, diz o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest.
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 eleitores em 120 municípios brasileiros entre os dias 5 e 8 de junho de 2026. A margem de erro é estimada em 2 pontos percentuais (pp), para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado junto à Justiça Eleitoral sob o código BR-07661/2026.
