Por que deputados desistiram de CPI para investigar o Master agora

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Há pelo menos quatro pedidos de criação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) no Congresso com assinaturas suficientes de parlamentares para os colegiados serem instalados. São dois requerimentos no Senado — um capitaneado por Eduardo Girão (Novo-CE), da oposição, e outro por Rogério Carvalho (PT-SE), aliado do governo Lula — , um na Câmara, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), e uma proposta de CPI mista, do deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ).
Reportagem de VEJA publicada na edição que chegou às bancas nesta semana mostra como o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o chefe da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se empenharam para evitar que parlamentares investigassem o caso Master.
Tiveram apoio de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para isso. O ministro Cristiano Zanin já rejeitou um pedido de Rollemberg para obrigar Motta a instalar sua comissão de inquérito. Em caso semelhante, está com o ministro Kassio Nunes Marques a relatoria de um mandado de segurança de Girão e outros senadores pedindo a interferência da Corte diante da omissão de Alcolumbre.
Apesar das investidas judiciais, a temperatura política entre defensores de investigações congressuais sobre a maior fraude financeira da história brasileira mudou bastante desde novembro, quando a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, precipitou a enxurrada de pedidos de CPIs. Hoje, a seis meses das eleições, a maioria dos autores dos requerimentos não quer mais se comprometer com o trabalho que dá conduzir um inquérito parlamentar dessa dimensão.
A expectativa de muitos deles recai, agora, sobre o acordo de delação premiada que Vorcaro negocia com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Uma aposta recorrente é que os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio de Rueda, cujos laços com o banqueiro vieram à tona detalhadamente em vazamentos de mensagens de seu celular, não escaparão do tsunami político provocado pela colaboração premiada. “A delação do Vorcaro é o fato mais relevante para esclarecer quem são e o que fizeram todos os envolvidos no escândalo do Banco Master, estejam onde estiverem”, diz Rodrigo Rollemberg.
A resignação com o enterro das CPIs do Master é mais latente, por óbvio, entre deputados e senadores da base de apoio ao governo Lula. Estes lembram da lição aprendida a duras custas na composição da CPMI do INSS, quando a oposição aproveitou uma cochilada da situação para assumir a presidência e a relatoria do colegiado.
Governistas argumentam que houve um “golpe” e que os adversários descumpriram um acordo político firmado com o beneplácito de Motta e Alcolumbre. Ao fim, o que importa é quem tem o poder de pauta na mão — ou seja, a prerrogativa de definir quais convocações e quebras de sigilo serão votadas. É mais do que meio caminho andado para controlar, também, a narrativa política predominante.
Trocando em miúdos, a proximidade das eleições serve como força de dissuasão a esses parlamentares que já defenderam a instalação de uma CPI do Master, mas, agora, temem as descobertas que poderiam vir à tona e ser exploradas por rivais nas urnas — seja por distorção dos fatos em recortes descontextualizados para as redes sociais ou por revelações que impliquem gente próxima a Lula na fraude de Vorcaro e de seu antigo banco.
