Para não irritar Trump, membros da Otan evitam falar sobre a Copa do Mundo

Líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fizeram um acordo informal para evitar comentários sobre a Copa do Mundo de 2026 na presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A estratégia busca evitar desgastes com o republicano, conhecido por suas opiniões contundentes e mudanças bruscas de posicionamento. Os líderes da Otan estão reunidos em Ancara para discutir o aumento dos investimentos em defesa, principal demanda de Trump aos países-membros.
A cúpula é vista como uma oportunidade para amenizar as tensões entre os Estados Unidos e o resto da Otan. Diante do histórico de críticas de Trump à aliança e das ameaças de retirar o país do bloco caso os aliados não elevem os gastos militares, o plano dos demais líderes foi evitar qualquer assunto que pudesse irritar o presidente norte-americano e atrapalhar as negociações.

A estratégia foi mencionada pelo primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever. Em conversa com jornalistas antes de se reunir com Donald Trump, ele brincou que não comentaria a vitória da Bélgica por 4 a 1 sobre os Estados Unidos na Copa do Mundo, afirmando que o presidente norte-americano “tem a reputação de, às vezes, reagir de forma um pouco irritada a coisas de que não gosta” e que a derrota “deve ter pesado”.
O jogo entre Bélgica e Estados Unidos, na última segunda-feira (6), que resultou na eliminação dos norte-americanos do torneio, foi precedido por uma polêmica envolvendo Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos telefonou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão do cartão vermelho recebido pelo atacante Folarin Balogun na partida contra a Bósnia.
Balogun havia sido expulso e cumpriria suspensão nas oitavas de final diante da Bélgica. No entanto, o comitê disciplinar da Fifa anulou o efeito suspensivo do cartão, permitindo que o atacante entrasse em campo. O episódio gerou debates sobre uma possível interferência política no futebol e também levou Trump a criticar a arbitragem do brasileiro Raphael Claus.
