Os “Machado Valadão” na formação da sociedade iporaense
Mais uma história de família. Hoje, os “Machado Valadão”, família numerosa e importante para o surgimento e desenvolvimento de Iporá. É trecho do livro de Valdeci Marques: “A Formação da Sociedade Iporaense”.
Manoel Machado Valadão, vindo de Uberaba (MG), na década de 30, foi de um grande pioneirismo nesta região, especialmente na Fazenda Lajeado, de proximidades com a Fazenda Taquari e também próxima a fronteira com terras que seriam depois do município de Ivolândia. Mas o sobrenome Machado e Valadão é mais extenso, com familiares do Manoel que também vieram de Minas. Essa vinda da família para Goiás e, mais precisamente para a região de Moitu (atual Cachoeira de Goiás), remonta a primeira metade do século XIX, aonde os sobrenomes Machado e Valadão nem aparecem. Em 1840, veio para a região o casal Manoel Alves Pereira Rezende e Genoveva Rezende do Carmo. Deles nasceu, por exemplo, José Alves Pereira de Rezende, que se casou com Maria Francisca Rezende e de cuja união nasceu Ana Pereira de Rezende, que se casou com Jacinto Machado Valadão. Também sem ter ainda o sobrenome Machado Valadão, mas daria alicerce ao surgimento da família no Oeste Goiano, havia em 1830 a chegada de José Vieira Manço e Maria Alves Rabelo, que desbravaram matas nesta região. Desse casal nasceu Manoel Vieira Rezende, que se casou com Custódia Rezende do Carmo. Do casal um dos filhos é o Joaquim Bernardes Vieira, que se casou com a Maria Carolina, mas morreu ainda jovem. Ela se tornaria depois Maria Carolina Vasconcelos, pois uniu-se a João Inácio de Vasconcelos, chamado Coronel João Inácio, homem respeitável e justo e que atuava como Juiz, quando surgia querelas. É filha da Maria Carolina a Maria Bernarda de Rezende. Esta, a Maria Bernarda, ao se casar com o Joaquim Machado Valadão, deu para a sociedade iporaense e municípios da região homens e mulheres que atualmente são avós de pessoas importantes em nosso meio. Esses antigos desbravadores viveram tempos difíceis da vida rural. A própria vinda deles foi uma aventura. Conta a geração atual que ouviram dos de outrora que, naquele tempo, havia um gavião de grande tamanho e que atacava, inclusive, crianças. Ao virem, um dos pioneiros, com criança de dois anos, viu um desses gaviões vir na direção dela. Seria capaz de bicar e até levar a criança. Disparou um tiro de cartucheira ao alto e que matou o gavião, mas que deixou pólvora entrar na testa do menino, o qual atravessou o resto de sua vida, com aquele resto de pólvora no corpo. Assim era a luta do homem contra a fauna e todos os tipos de dificuldades. Ainda contam os antigos sobre os causos que ouviram de bando de queixadas que atacavam as crianças pequenas e, em casebres inseguros, os pais achavam melhor ter jiraus no terreiro, lá na cidade de pedra e, assim que percebiam a vinda do bando, colocavam as crianças sobre o tal jirau. Eles trabalharam a terra. Viveram em isolamento e criaram grandes famílias. Os patriarcas de sobrenome Valadão foram pessoas prejudicadas numa contenda de terras no chamado Caso Fazenda Rica. Essa ação na Justiça durou décadas e tirou dos Valadões a possibilidade de terem grandes áreas de terras. Assim contam os descendentes. A Fazenda Rica era de 4 léguas por 4 léguas, área de 11.900 alqueires, no município de Ivolândia e fronteira com a Fazenda Santa Marta, município de Iporá. Por volta de 1850 um senhor de nome Antônio fez para si um registro paroquial pelo qual passou a ser dono. Mas depois vendeu a metade dela e morreu. Surgiram diversos problemas e que prejudicaram muitas famílias que estavam na área. Descendentes do casal José Alves Machado e Cortilina Carolina da Rocha relembram os problemas de posses de terras e prejuízos. Esse José Alves Machado é um descendente de Valadão que veio de Minas. Ainda iremos relatar sobre ele. Antes, é preciso dizer que Manoel Machado Valadão passou a ser dono de uma área grande de terras. Em suas andanças por essa região encontrou a filha de Josino Carolino da Rocha (Jaó) e de Delfina. Era a Orlinda Carolina da Rocha, da mesma família da Cortilina e que se tornou esposa de Manoel e com a qual constituiu grande família. Manoel Machado, este que trouxe para a região o sobrenome Valadão, disperso atualmente em nomes de importantes personalidades, era um homem silencioso e de muito trabalho. Enfrentou as dificuldades da época e viveu a vida de fazenda, dessas existências nas quais pouco se busca da cidade. A fazenda servia à família em tudo para se alimentar e até para se vestir, pois plantava-se o algodão e as mulheres o cardavam, fiavam, teciam e com os tecidos faziam as roupas para homens, mulheres e crianças. Da cidade vinha algum tecido mais fino, pouco usado, pois caro, e da cidade vinha também sal, querosene e as ferramentas para o trabalho duro da fazenda. O dinheiro para as compras era da venda de gado para abate. Entre aqueles do sertão do Lajeado usava-se muito as trocas. Quem tinha arroz e não tinha feijão trocava com aquele que cultivou feijão, mas deixou de plantar arroz. Manoel Machado Valadão viveu tudo que o sertão podia oferecer e, como única opção de diversão, viveu com sua família e as famílias dos vizinhos as noites de bailes que ocorriam depois de um dia de sábado de mutirão previamente marcado para serviço braçal de ajuda a quem precisava ou ainda em ocasião de traição, a “treição”, que era a ajuda de surpresa. Senhor Manoel morreu na fazenda e, no cemitério rural daquele lado do município, foi enterrado. Depois disso, a grande fazenda foi se desfazendo em áreas menores. Certa vez a viúva Orlinda Carolina da Rocha veio para uma terra que os filhos adquiriram para ela na região do Campo Redondo. Depois, veio para a cidade de Iporá. Os filhos de Manoel e Orlinda foram todos de lida rural. Eram eles, quase todos de sobrenome Machado Valadão: Joviano (que se casou com Conceição Júlia de Jesus), Onofre (que se casou com Benvinda Firmino Machado), Eurico (que se casou com Guilhermina Firmino Machado), Domingo (que se casou com Rita Cândida Valadão), Fabiano (solteiro) e Antônio, o Negrinho Sapateiro (que foi dos primeiros no ramo de calçados em Iporá e se casou com Floripa Flora Valadão e, depois, com Selma). Manoel e Orlinda tiveram também a filha Ana Carolina da Rocha (que se casou com Adahilo Ferreira Paes e que teve os filhos Vicente, Terezinha, Elpídio e Jerônima), a filha Antônia Carolina da Rocha (que se casou com Joaquim Castro), Tereza Carolina (que se casou com o pastor Dorvalino Correia Nascimento) e a caçula Jacinta (que se casou com Antenor). Quando a viúva Orlinda Carolina da Rocha veio para Iporá, habitou a rua onde hoje há o quartel da Polícia Militar. Isso fez com que a rua em que morava tivesse o nome, em homenagem a ela e demais “Carolinas”, mulheres de uma família. Atualmente essa via pública onde está o quartel chama-se Rua Carolina. Eram Orlinda Carolina da Rocha, Alzira Carolina (Bem) e Oliva Carolina, toda filhas de Delfina, a segunda mulher do fazendeiro Josino Carolino da Rocha (Jaó). A viúva Orlinda se casou outra vez. Foi mulher de Quintino, que também deu nome a um logradouro, a Avenida, que tinha nome em homenagem a ele e o sobrenome para homenagear a Família do Sebastião Banheiro, Família Vargas, que também morava no mesmo logradouro. Quanto ao casal José Alves Machado e Cortilina Carolina da Rocha é importante dizer que também foram de pioneirismo rural, inclusive quase todos os filhos. Só a geração mais nova é que fez ocupação urbana e atividades que foram as de lida rural. Foram filhos de José e Cortilina o Diolino, Generosa, Maria Zulica, João, Luíza e Modesto. Foram ainda filhos a Celeste (que se casou com o Geraldo Barbacena), Jacinto (que se casou com Olímpia) e o Luiz Machado Valadão, o Luiz Retratista, que foi dos primeiros a registrar imagens das pessoas de Iporá e que se casou com a Josina. Outro filho que somou descendentes para Iporá foi o Orcalino Machado Valadão, que se casou com a Ana Júlia e teve os filhos José Machado, Zilda, Agnaldo e Sebastiana. Essa é a história de uma família que misturou Valadão e Carolina da Rocha, sobrenome das filhas de Josino Rocha, um grande fazendeiro de outrora na região de Iporá. O casal Joaquim Machado Valadão e Maria Bernarda Rezende somou muito para a sociedade iporaense e formação desta cidade. Foram seus filhos: João Machado (que se casou com a Maria Pereira Machado), Jacinto Machado Valadão (que se casou com a Umbelina), Honório (que se casou com a Jorgelina Paiva) e a Olímpia Machado Valadão (que se casou com o Jacinto). Eles tiveram a filha Maria Pereira Rezende, que não levou sobrenome Machado e nem Valadão. A explicação é que naqueles antigos tempos de vida rural, quando o pai da criança soube que um vizinho de fazenda ia na cidade registrar um filho dele, pediu que também fizessem o documento da filha, a quem disse que se chamaria Marinha. Diante do escrivão, o encarregado de encomendar o registro esqueceu o sobrenome da família do fazendeiro vizinho e decidiu colocar o seu próprio sobrenome. A Marinha se casou com o Eltímio. Teve o filho Inácio Machado (que se casou com a Sebastiana). O filho Martinho Machado Valadão se casou com a Floraci, a Flora. E o Jonas Machado, outro filho de Joaquim e Maria Bernarda, se casou com a Durci Ferraz, de cuja união nasceram Paulo César e Eliene, ambos de sobrenome Machado e José Balduíno Machado. Essa família tem destaques em Iporá e em outras cidades goianas: Luiz Henrique (coordenador do Vapt-Vup em Iporá), Liliane Machado (secretária executiva na Câmara de Dirigetes Lojistas – CDL), Viviana Christina Machado (servidora da saúde), João Machado Júnior (sócio-proprietário da Belcar Veículos e de outras iniciativas empresariais, com participação em revendas das marcas Volkswagen, Fiat e Mitsubishi), Marina (arquiteta), Sérgio Antônio Machado (biomédico e pró-reitor universitário), Mário (advogado), Heberth (empresário em Iporá/Drogaria Goiás/Lavourista), Hezerth (empresário em Iporá na área de informática), Arthur (empresário em Iporá/Drogashop) e Claudete Valadão (IF Goiano). Entre os Machado Valadão está o João Célio, bioquímico em Ivolândia e que muito serviu na área de saúde, assim como sua esposa Maria Cristina Lisboa Machado (chefe de laboratório de análsie clínica) e sua filha Fernanda, em Iporá, que casada com o Erick Batista de Alencar, empreendem em Ama Planos e Pax Bom Fim. A família tem José Carlos Machado, que fez bela carreira como gerente bancário e advogado. Gerenciou agências em várias cidades brasileiras, inclusive em Iporá, onde teve oportunidade de zelar os interesses da comunidade. Na virada do ano de 1982 para 1983 ele gerenciava a Caixa em Iporá, quando notou que a Prefeitura tinha uma grande soma de recurso financeiro vinda do Governo Federal e percebeu que o prefeito da época não tomava providência em aplicar o mesmo em obras públicas. Nem quando avisado pele José Carlos ele reagiu, afirmando que seu candidato tinha perdido a eleição e que ele estava deixando o cargo e não cuidaria daquilo. Então José Carlos foi até José Antônio da Silva Sobrinho e que era o eleito, o qual teve interesse. Prorrogaram o prazo e a grande soma foi usada em obras de asfalto, meio-fio e lavanderia pública. Um membro da família Machado Valadão salvou verba pública por Iporá. Dessa forma, são muitos da família que já contribuíram com a sociedade iporaense. (Foto na pág. 25, 59, 72)



