Oposição a Trump defende fim de poder de guerra do presidente

Oposição a Trump defende fim de poder de guerra do presidente

(Folhapress) Após o anúncio de cessar-fogo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, democratas afirmam que a trégua de duas semanas não é suficiente, continuam criticando a postura do presidente que sugeriu dizimar uma nação em poucas horas e pedem o fim do recesso parlamentar para votar pelo fim definitivo da guerra —nesta semana, os parlamentares não trabalham graças à Páscoa.

Enquanto isso, republicanos que permaneceram, em sua maioria, em silêncio após as ameaças em tom genocida de Trump falam que a trégua é uma “boa notícia” e afirmam que o presidente conseguiu um feito sem precedentes. Eles ignoraram as 13 mortes de militares americanos, os dois caças abatidos pelo Irã e os 175 mortos na escola para meninas no sul do país —uma investigação preliminar aponta que os EUA foram responsáveis pelo ataque.

Presidente Trump (Foto: Casa Branca)

A tentativa de aprovar uma resolução para interromper a guerra no Irã também foi ventilada no início dos ataques, mas a medida não obteve os votos necessários para avançar no Congresso. Agora, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, tem retomado a discussão e publicou nas redes sociais que esta vai ser a quarta vez que tentam passar o projeto —e que republicanos deveriam apoiá-lo.

“Após ameaças do presidente de extinguir uma civilização inteira, os republicanos devem se juntar a nós para votar pelo fim desta guerra de uma vez por todas”, escreveu Schumer. Antes, ele afirmou ter ficado feliz com o recuo de Trump, mas disse que o presidente “está buscando desesperadamente uma saída para suas bravatas ridículas”.

“[Trump] nos deixou em uma situação pior que quando [o conflito] começou”, prosseguiu Schumer, pedindo que os congressistas aprovem a resolução para “acabar com esta guerra de vez”.

Trump com integrantes das forças armadas (Foto: Casa Branca)

Já Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara, concorda que o cessar-fogo não é suficiente. Em entrevista à emissora CNN, ele pediu que os parlamentares encerrem o recesso para votar pelo fim da guerra —o Congresso dos EUA só volta a funcionar no dia 13.

A deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez, democrata de Nova York, mantém uma linha semelhante a de Schumer. Para ela, a decisão pelo cessar-fogo “não muda nada”. “O presidente ameaçou cometer genocídio contra o povo iraniano e continua a usar essa ameaça como instrumento de persuasão”, afirma.

Assim como outros parlamentares da oposição, ela sustenta que congressistas poderiam tentar dar início ao processo de impeachment ou invocação da 25ª emenda, que trata do que acontece quando um presidente é incapaz de exercer seus poderes e deveres e é forçado a passar seu cargo ao vice.

Trump cumprimenta a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi (Foto: Casa Branca)

“Não podemos mais arriscar o mundo nem o bem-estar da nossa nação. Seja por iniciativa de seu gabinete ou do Congresso, o presidente deve ser destituído do cargo. Estamos brincando com fogo”, disse AOC, como é conhecida a parlamentar.

O senador Raphael Warnock afirmou que os Estados Unidos nunca deveriam ter entrado na guerra. “Donald Trump nos levou ao precipício de um desastre global ao escolher a guerra em vez da diplomacia. Perdemos vidas americanas. Matamos civis inocentes, incluindo mais de cem menininhas preciosas, com nossas bombas.”

Críticas também foram ecoadas por antigos aliados de Trump que decidiram romper com o presidente, como a ex-deputada Marjorie Taylor Greene e a influenciadora e podcaster de direita Candace Owens. Elas classificaram as ameaças como maldosas. Antes do anúncio do cessar-fogo, Owens também pediu para invocação da 25ª emenda. “Ele é um genocida lunático. Nosso Congresso e Exército precisam intervir.”

Presidente Trump na Casa Branca (Foto: Divulgação)

Em geral, aliados de Trump se mantiveram em silêncio. O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, não comentou sobre a possibilidade dos EUA destruir completamente o Irã e apenas repostou o anúncio de Trump que anunciava a trégua de duas semanas.

Alguns republicanos, entretanto, elogiaram o recuo e voltaram a defender a guerra. O senador Rick Scott, por exemplo, publicou que o cessar-fogo era uma “ótima notícia” e que este é um forte passo para responsabilizar o Irã e o que acontece quando “se tem um líder que coloca a paz por meio da força acima do caos e políticas fracas de apaziguamento”.

“O Irã NUNCA deve ter uma arma nuclear, o Estreito de Hormuz DEVE estar completamente aberto, e nosso país e nosso grande aliado Israel nunca mais devem ser ameaçados pelo Irã ou seus aliados”, disse Scott. A deputada Anna Paulina Luna também elogiou a postura do presidente e repetiu que o Irã era visto como uma ameaça existencial aos EUA.

Fonte Original Mais Goias

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