Operação da Polícia Civil mira depósito de farinha de trigo administrado pelo tráfico em Duque de Caxias

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira, 31, uma operação contra a venda ilegal de farinha de trigo por integrantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP) a comerciantes de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Os agentes foram até um depósito considerado um dos principais pontos de armazenamento do produto, no Complexo do Pantanal, e apreenderam mais de 50 sacos de 25 kg cada, totalizando mais de uma tonelada do ingrediente. No local, os policiais ainda encontraram uma possível rota de fuga nos fundos do imóvel.
A farinha era vendida a padeiros da região, que eram obrigados a comprá-la por um preço mais alto do que o normal. Segundo a Frente Parlamentar de Retomada de Território da Alerj, que recebeu a denúncia, a venda do produto está ligada ao traficante “Flamengo”, que está foragido da Justiça e lidera o TCP nas comunidades da região.
Ao chegar ao local do depósito, as equipes da Polícia Civil foram recebidas a tiros. Apesar da ofensiva, não houve confronto. A ação contou com policiais da 60ª DP (Campos Elíseos) e de agentes da 66ª DP (Piabetá). De acordo com a Polícia Civil, as investigações prosseguem para identificar outras vítimas e localizar integrantes da organização criminosa envolvidos na prática de extorsão.
Mesma denúncia em Belford Roxo
A suspeita é de que o esquema se estenda a outros municípios da Baixada Fluminense. Comerciantes de Belford Roxo já relataram extorsão por parte de traficantes no mesmo contexto. Lá, os criminosos também impõem a compra de farinha de trigo por um valor mais inflacionado.
O reflexo dessa prática já chegou ao consumidor. O pão francês, antes encontrado a cerca de R$ 0,50 ou em promoções como três unidades por R$ 1, agora é vendido por pelo menos R$ 0,80 em alguns locais. Padeiros da região relatam que tentar comprar de distribuidores regulares resulta em ameaças e retaliações. A Polícia Civil investiga o caso por meio da 54ª DP (Belford Roxo).
A Prefeitura de Belford Roxo informou que denunciou o caso ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que vai apurar possíveis crimes de extorsão qualificada, formação de cartel e atuação de organização criminosa contra os comerciantes do setor de panificação.
