O preço do ovo de páscoa vai cair, mas não agora – entenda

O preço do ovo de páscoa vai cair, mas não agora – entenda

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“Coelhinho da Páscoa o que trazes para mim? “, a pergunta que é um clássico desta época é respondida por qualquer consumidor com “Preço alto, sim senhor!” E vai continuar assim por um bom tempo. O mercado de cacau e chocolate atravessa um período de transformação em 2026, com queda quase total nas importações brasileiras de manteiga de cacau (principal ingrediente usado no chocolate) no início do ano. A avaliação é do especialista Alexandre Mello, da LogComex, que atribui o movimento a uma crise global de oferta e a ajustes na estratégia da indústria. O recuo nas compras externas reflete a dificuldade de acesso ao produto e a tentativa das empresas de reorganizar estoques após um período de preços historicamente elevados.

Queda

A notícia é boa para quem espera uma queda nos preços do chocolate. Segundo Mello, houve uma ruptura importante na oferta mundial provocada por problemas climáticos e doenças nas plantações em países-chave como Gana e Costa do Marfim. O Brasil produz cerca de 80% do cacau que consome, com destaque para Bahia e Pará, mas ainda depende de aproximadamente 20% de importações. Com a quebra de safra, Gana perdeu participação, enquanto a Costa do Marfim passou a concentrar praticamente todo o volume importado recentemente.

Cacau importado

O impacto foi direto nos custos. Em 2025, o país pagou mais que o dobro pelo cacau importado mesmo sem ampliar o volume comprado. Apesar da forte queda recente nas cotações internacionais — a tonelada caiu de cerca de US$ 10 mil para perto de US$ 3.300 na bolsa de Intercontinental Exchange — apesar da boa notícia, o consumidor não deve ver alívio imediato. Os ovos de Páscoa deste ano que enfeitam as gôndolas dos supermercados foram produzidos com estoques adquiridos no pico da crise, o que mantém os preços elevados pelo menos até o segundo semestre.

Escassez de cacau

A escassez global também incentivou as exportações brasileiras, que cresceram cerca de 30% entre 2024 e 2025. Esse movimento reduziu a oferta interna e contribuiu para preços mais altos no mercado doméstico, dinâmica semelhante à observada em outros produtos agrícolas. Mais recentemente, as vendas externas perderam ritmo porque o cacau brasileiro, de qualidade superior, passou a competir com safras recordes mais baratas vindas da África Ocidental e do Equador.

O preço da guerra

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) do IBGE mostrou que os preços dos ovos de páscoa acumulam alta de 24,9% em 12 meses, mas tem consumidor jurando que o valor subiu muito, muito mais do que isso. Fatores externos ampliam a pressão. A guerra no Oriente Médio encarece o petróleo e eleva o custo do frete internacional, afetando toda a cadeia logística do cacau. O especialista destaca ainda o impacto no fornecimento de ingredientes usados em chocolates premium, como o pistache, com interrupções vindas do Irã, segundo maior fornecedor do produto para o Brasil.

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Transição

Na prática, a combinação de quebra de safra, exportações elevadas e custos logísticos maiores cria um cenário de transição para a indústria. A expectativa é de normalização gradual ao longo de 2026, mas com repasse lento ao consumidor. Até lá, o chocolate continua refletindo não apenas o preço do cacau, mas também uma cadeia global mais cara e instável.

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