O apetite (e a dor de cabeça) de Davi Alcolumbre para cargos no governo

O apetite (e a dor de cabeça) de Davi Alcolumbre para cargos no governo

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O avanço das investigações contra o Banco Master e sua relação com políticos de todos os espectros ideológicos tem jogado luz para os tentáculos que parlamentares de primeiro escalão mantém em autarquias, estatais e postos de livre nomeação em toda a administração pública. Na sexta-feira, 6, a Polícia Federal bateu à porta do Amapá Previdência (Amprev), fundo comandado por um indicado do presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e cujo Conselho Fiscal abriga um dos irmãos do senador. A Amprev aplicou 400 milhões de reais em papéis pobres do Master.

Antigo tesoureiro de campanha do senado, o presidente da caixa de previdência Jocildo Lemos foi alvo de buscas, assim como dois dirigentes do Comitê de Investimentos. O irmão de Alcolumbre Alberto Alcolumbre não é investigado, mas a dupla presença de apadrinhados políticos do presidente do Senado em uma entidade encrencada com transações com o banco de Daniel Vorcaro coloca o senador sob desconfortáveis holofotes.

Mais influente em Brasília do que no Amapá, onde naufragou nas duas vezes em que tentou emplacar o irmão Josiel na política local, o presidente do Congresso é seguidor diligente da cartilha do pragmatismo político e se equilibra sem dificuldades entre acenar para o governo Lula e não romper laços com a oposição. Mesmo fora da cúpula da Casa por quatro anos, ele nunca deixou de ser o responsável por organizar o pagamento de emendas, dinheiro público a que os congressistas têm direito para enviar para obras em redutos eleitorais.

Um ex-ministro da cozinha de Bolsonaro certa vez estimou a VEJA que, nos tempos de orçamento secreto, o senador destinou, sozinho, 1 bilhão de reais em verbas parlamentares. Na contabilidade oficial e rastreável de órgãos de controle do governo, foram 200 milhões de reais desde 2020. “Quem distribui emenda tem tudo, governo e oposição”, resume um antigo cacique do Congresso sobre a origem da força política do senador.

Esse tipo de contabilidade governamental, em sua maioria usada como mecanismo de pressão em votações no Parlamento, explica e muito o poder e a influência do presidente do Congresso, que são complementados também por um outro fator: os apadrinhados políticos em cargos públicos da administração federal. Além da dupla na Amapá Previdência, são da cota de Alcolumbre, por exemplo, o ministro da Integração Nacional Waldez Góes e pelo menos 15 cargos em autarquias e órgãos federais, segundo registros da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) a que VEJA teve acesso.

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São postos como a diretoria-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e assentos de cúpula nos Correios, na Telebras, no Banco da Amazônia e na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Cargos assim trazem projeção, influência política e seus próprios dividendos eleitorais. Quando seus indicados caem em operações policiais como agora, por exemplo, viram dor de cabeça na certa.

Veja os cargos de Davi Alcolumbre, segundo contabilidade da Secretaria de Relações Institucionais (SRI):

  • Arthur Watt Neto: diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
  • Aharon Alcolumbre: diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Sudam e superintendente interino da Sudam
  • Fábio Yassuda Maeda: Diretor de Relações com Investidores do Banco da Amazônia (Basa)
  • Lucas Asfor Rocha Lima: diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
  • George Arnaud Tork Façanha: gerente jurídico da Telebras
  • Tatiana Rúbia Melo Miranda: diretora Administrativo-Financeira e Relações com Investidores da Telebras
  • Ricardo Ady Morais Léda: diretor Administrativo e Financeiro da Caixa de Assistência e Saúde dos Empregados dos Correios
  • Rosimeire Fernandes da Silva: Diretora do Departamento de Gestão de Instrumentos de Repasse e Parcerias da Secretaria Nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial
  • Valder Ribeiro de Moura: secretário-executivo do Ministério da Integração
  • Marcello Vieira Linhares: superintendente do DNIT no Amapá
  • Agostinho da Silva Batista: superintendente dos Correios no Amapá
  • Jorge Elson da Silva Souza: superintendente federal de Pesca e Aquicultura no Amapá
  • Hilton Rogério Maia Cardoso: diretor de Negócios dos Correios
  • Liely Gonçalves de Andrade: superintendente da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) no Amapá

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