Novo visual de Vini Jr não é definitivo e deve ser refeito ao longo do tempo

O atacante Vini Jr voltou aos holofotes nos últimos dias ao aparecer com novo visual desencadeando uma discussão sobre harmonização facial, procedimentos estéticos e os impactos dos padrões de beleza. Inicialmente, especularam que o atleta teria realizado uma harmonização facial devido às mudanças perceptíveis no contorno da mandíbula e na projeção do queixo. Depois, o médico responsável pelo atendimento explicou que o procedimento adotado foi uma naturalização facial, uma técnica cujo objetivo é promover equilíbrio estético e valorização dos traços naturais, sem modificar a identidade do paciente.
(Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)
O que pouco se comentou é que procedimentos estéticos em pele negra requerem mais cuidados, apesar de serem mais resistentes devido à concentração de melanina, o que explica o fato da pele negra envelhecer mais lentamente. Em conversa com a coluna GENTE, o cirurgião plástico Rogger Di Roy, membro da sociedade brasileira de cirurgia plástica, explica que é preciso cuidados específicos. “A pele negra apresenta particularidades fisiológicas importantes, principalmente relacionadas à maior atividade melanocítica e à resposta inflamatória. Isso exige atenção especial na escolha dos parâmetros de tecnologias como lasers, luz intensa pulsada, radiofrequência e outros dispositivos que geram energia ou calor”.
O médico também explica que a pele negra tem mais predisposição à hiperpigmentação pós-inflamatória, especialmente quando ocorre inflamação excessiva ou agressão à epiderme. “O fototipo, histórico de manchas, tendência cicatricial e exposição solar devem ser avaliados individualmente antes do procedimento. Não é simplesmente utilizar tratamentos ‘mais fracos’, mas selecionar tecnologia, comprimento de onda, energia, profundidade e protocolo adequados ao fototipo e à indicação clínica”.
Outro problema para o qual o médico alerta é a formação de queloides. A pele mais pigmentada, de fato, tem uma maior prevalência de cicatrizes hipertróficas e quelóides, mas isso não significa que toda pessoa negra desenvolverá queloide. “O risco depende de vários fatores: predisposição individual e familiar, localização anatômica, tipo e profundidade da lesão, tensão sobre a cicatriz e características do processo inflamatório. Em procedimentos estéticos não invasivos ou minimamente invasivos, como feito pelo jogador, nos quais não há uma incisão cirúrgica significativa, a preocupação costuma ser diferente daquela observada em cirurgias. Ainda assim, é fundamental investigar antecedentes pessoais de queloide e ajustar a técnica para minimizar trauma e inflamação”, afirma Roger.
Ainda segundo o médico, dependendo do procedimento realizado e qual produto ou tecnologia usada, o procedimento pode precisar ser refeito. “Em estética, muitos tratamentos não são definitivos porque seus efeitos acompanham processos biológicos naturais, como metabolização de substâncias, remodelação de colágeno e envelhecimento dos tecidos”.
Ele cita, por exemplo, procedimentos com ácido hialurônico – que podem apresentar duração aproximada de 6 a 18 meses, dependendo do produto, área tratada, quantidade aplicada e metabolismo individual. Já tratamentos que estimulam o colágeno podem produzir resultados progressivos e ter efeitos percebidos por períodos diferentes, frequentemente exigindo sessões ou manutenção conforme indicação. Apesar de não ser tecnicamente correto estabelecer um prazo único para “refazer”. “A necessidade de manutenção deve ser determinada pelo procedimento realizado, pela evolução clínica e por uma nova avaliação médica, conclui o cirurgião”, conclui.
