Novas vítimas e procedimentos invasivos: o que se sabe sobre a dentista presa em Goiânia

Novas vítimas e procedimentos invasivos: o que se sabe sobre a dentista presa em Goiânia

EM INVESTIGAÇÃO

Valéria Ribeiro, de 33 anos, foi presa pela Polícia Civil suspeita de deformar pacientes

Novas vítimas e procedimentos invasivos: o que se sabe sobre prisão de dentista em Goiânia (Foto: Reprodução)

1
1

Desde que foi presa na última quinta-feira (28), ao menos seis novas vítimas procuraram a Polícia Civil (PC) para registrar formalmente denúncias contra a dentista Valéria Ribeiro, de 33 anos. A profissional é investigada por provocar lesões graves e deformar pacientes, em Goiânia, por meio de procedimentos invasivos. 

LEIA TAMBÉM

Com as novas denúncias, o número de pacientes da dentista que tiveram sequelas sobe para 13, de acordo com o delegado Wladimir Freire.  Entre os procedimentos realizados por Valéria estão rinoplastia, bichectomia, lipoaspiração de papada e cirurgias bucomaxilofaciais. A Justiça optou por manter a investigada presa por meio de audiência de custódia realizada na sexta-feira (29).

Dentista investigada, Valéria Ribeiro – (Foto: reprodução/redes sociais)

Veja o que se sabe:

Valéria foi presa pela PC durante operação, que foi realizada com o apoio da Vigilância Sanitária. A ação interditou a clínica da dentista no Setor Bueno, em Goiânia. Uma funcionária acabou presa em flagrante por tentar atrapalhar os mandados, ao esconder produtos e objetos, conforme o delegado William Bretz, que dava apoio a ação.  

De acordo com a PC, as investigações foram iniciadas em 2024 após relatos de vítimas desde 2023. As apurações apontaram que, dentre os procedimentos praticados pela profissional, estavam rinoplastia (remodelação de nariz), bichectomia (remoção parcial das bochechas) e lipo de papada (remoção da gordura na região). 

Em um dos atendimentos, a investigada chegou a interromper um atendimento para fazer uma ligação com uma pessoa ainda não identificada para tirar dúvidas sobre como proceder na intervenção cirúrgica, que executava no momento do contato. A dentista não possuía autorização para realizar os procedimentos mais invasivos na época em que eles foram feitos, conforme a investigação.

As vítimas apresentaram infecções, deformidades, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas graves. Uma paciente quase foi parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo cuidado por Valéria em casa.

A investigação apontou que, apesar do Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) autorizar algumas cirurgias invasivas mediante comprovação de especialidade, Valéria não tinha, na época, qualquer autorização para realizar esses procedimentos.  

Em nota, o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou que a profissional possui registro ativo e que acompanha os desdobramentos do caso. Disse ainda que os procedimentos estéticos e cirúrgicos no rosto, como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia, só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista na área. 

Policiais cumprindo mandados – (Foto: reprodução/PC)

Cirurgias de 12 horas

As vítimas relataram à polícia sobre procedimentos prolongados, alguns com duração superior a 12 horas, que ocorriam em sala odontológica comum, além da ausência de condições sanitárias adequadas, falhas na esterilização de materiais e insuficiência de acompanhamento anestésico. 

A operação investiga indícios de exercício ilegal da medicina, funcionamento irregular do estabelecimento e possível utilização de técnicas vedadas pelas normas de fiscalização profissional, de acordo com a PC. A dentista foi presa preventivamente.

Durante o cumprimento de mandados judiciais, foram realizadas buscas na clínica e em endereços residenciais vinculados à investigada para apreender documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários, equipamentos e outros materiais de interesse das investigações. Além da prisão, a operação cumpriu dois mandados de busca e apreensão e sequestro de R$ 600 mil, além de bens patrimoniais.

Em nota divulgada à imprensa no momento da prisão, a defesa da dentista informou que não ainda não tinha acesso integral ao processo. O Mais Goiás entrou em contato com a advogada para um novo posicionamento, mas a profissional informou não fazer mais parte da defesa de Valéria. A reportagem não conseguiu localizar a nova defesa de Valéria.

Dentista Valéria Ribeiro – (Foto: reprodução/redes sociais)

Fonte Original Mais Goias

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *