‘Nem tudo é céu de brigadeiro’, diz diretor da Real Time sobre avanço de Flávio Bolsonaro

O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto ocorre em um cenário ainda instável e sujeito a reveses, segundo o diretor executivo da Real Time Big Data, Lucas Thut Sahd. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, ele afirmou que o desempenho recente do senador não garante uma trajetória contínua de crescimento. “Nem tudo é céu de brigadeiro para ele, de que ele vai conseguir apenas subir nas pesquisas”, disse.
No levantamento divulgado nesta terça-feira, 5, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Lula em um eventual segundo turno, embora em empate técnico, enquanto o petista mantém liderança no primeiro turno. Para Sahd, esse quadro reflete tanto a divisão de votos no campo da direita quanto o ambiente econômico, que tem pesado na decisão do eleitor.
Segundo o diretor da Real Time Big Data, há hoje uma pulverização de candidaturas à direita que, em um segundo turno, tende a beneficiar o senador. “A gente tem pelo menos 12% dos votos pulverizados nesses candidatos que, no segundo turno, acabam indo majoritariamente para o Flávio”, afirmou.
Ele ressaltou, no entanto, que o cenário deve se tornar mais adverso com o início da campanha. “Ele vai começar agora a ter o contra-ataque dos outros, dos adversários”, disse, ao citar a tendência de intensificação de críticas e embates diretos entre os candidatos.
Sahd também destacou que a economia desponta como principal pauta da eleição, superando temas como corrupção. De acordo com ele, o eleitor está focado na perda de poder de compra e na dificuldade de manter o padrão de vida. “A gente nota que o eleitor está procurando de verdade é quem melhora a economia”, afirmou.
Nesse contexto, o diretor avaliou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro enfrentam desafios. O presidente precisa, segundo ele, apresentar resultados concretos para reverter a percepção negativa sobre a economia, enquanto o senador busca ampliar sua comunicação com segmentos onde ainda tem menor penetração, como jovens e eleitores do Nordeste.
Outro fator apontado é o alto índice de rejeição dos principais candidatos, o que contribui para um cenário mais estável e com oscilações limitadas nas pesquisas. Essa característica, segundo Sahd, reforça o equilíbrio da disputa.
Ao final, o diretor da Real Time Big Data indicou que o quadro permanece aberto e dependerá do desenrolar da campanha. A capacidade de apresentar propostas e responder às demandas econômicas do eleitorado deve ser determinante para o resultado.
