Museu Pedro Ludovico reabre após quatro meses de reforma: ‘minha infância toda aqui’

Museu Pedro Ludovico reabre após quatro meses de reforma: ‘minha infância toda aqui’

Depois de quase quatro meses em reforma, o Museu Pedro Ludovico reabriu as portas para a população nesta sexta-feira, 20, em Goiânia. Com uma “nova cara” devido a revitalização, o local agradou não só visitantes como também antigos moradores, incluindo o guia Luiz Carlos Teixeira Bahia, de 79 anos, neto de Pedro Ludovico – o fundador de Goiânia.

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A obra do museu, que é uma das primeiras casas construídas em Goiânia, foi iniciada em outubro do ano passado com investimento de R$ 400 mil por parte do governo estadual. O casarão integra o conjunto arquitetônico art déco preservado da capital, tendo sido levantado entre 1934 e 1937. 

“[A reforma] me representa uma alegria muito grande pelo valor que dão ao Pedro Ludovico. Ficou idêntico, a cor é a original, mas está um pouco mais amarelada devido ao tempo”, conta o idoso.

Luiz, que trabalha no local há mais de 30 anos, passou a infância no casarão e chegou a morar por oito anos com os avós depois de se separar da ex-esposa, quando tinha 26 anos, na década de 70. O quarto que foi do guia, inclusive, continua intacto desde que morou no imóvel, assim como todo o museu. 

O espaço que Luiz chamava de “seu” fica no andar superior do prédio, mesmo espaço onde está localizado o quarto dos seus avós. Devido à idade e aos problemas de saúde, no entanto, o guia não consegue mais visitar os cômodos. Ele é descendente da única filha mulher do fundador de Goiânia, Lívia Teixeira Bahia, que morreu em 2011, aos 90 anos.

“Minha infância toda foi aqui, sempre vinha na casa dos meus avôs. Às vezes brigava com meu pai, que era muito intolerante, e vinha para cá. Morei em três lugares aqui, mas o definitivo foi no quarto de cima. A parte que mais gosta é a sala, onde sempre colocava músicas para o meu avô. Era como um secretário dele”, afirma. 

Durante o período em que viveu no local, ele acompanhou o leito de morte de Dona Gercina e Pedro Ludovico, em 1976 e 1979, respectivamente. Ele garante que era um dos netos mais próximos do avô, assim como “Pedrinho” (Pedro Borges), filho do ex-governador Mauro Borges. O apego era tanto que, depois que o casarão virou museu, em 1987, ele retornou para trabalhar no local. 

Luiz diz que viver sobre o mesmo teto que os avós foi o “ melhor momento da vida”. De acordo com ele,  a casa era movimentada, recebendo visitas constantes de escolas e autoridades políticas, como o ex-governador Iris Rezende e o ex-presidente Jucelino Kubecheque. 

“Ele [Pedro Ludovico] foi a pessoa mais importante que teve em Goiás. Quem ensinou ele a fazer política foi o seu sogro, Antônio Martins Moraes”, reforçou. 

Exemplo de líder 

O neto de Pedro Ludovico afirma que o político era seu exemplo como líder e que, se fosse vivo hoje, iria se deslumbrar com a forma em que Goiânia se desenvolveu e se tornou a cidade mais populosa d e Goiás. A capital, inicialmente, foi construída para 50 mil pessoas. Atualmente, segundo o Instituto Brasielirto de Geografia e Estatística (IBGE), o município conta com mais de 1,4 milhão de habitantes. 

“Pedro fez tudo pelo progresso de Goiânia. Tem até uma frase dele: ‘o homem que fez tudo pelo progresso de Goiás, construindo Goiânia’. Ele até pediu para colocar essa frase no túmulo dele. Foi um dos seus últimos pedidos, assim como tocar o tango La Cumparsita no velório. Ele era um ótimo dançarino”.

Apesar de ter crescido em meio a política, Luiz diz que nunca se interessou pela área, mas que Pedro insistiu para que ele se candidatasse a vereador enquanto ainda estava vivo. Os decentes do fundador de Goiânia já ocuparam cargos políticos municipais, estaduais e federais. 

“Meu avô queria por tudo que eu fosse vereador, ele tinha muito prestígio. Mas a política não é comigo, eu gosto de ajudar as pessoas, mas ser candidato não”, concluiu.

Fonte Original Mais Goias

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