Mídia iraniana aponta ao menos 201 mortos em ataque de EUA e Israel

Ao menos 201 pessoas morreram e 747 ficaram feridas no ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã. O número foi divulgado pela imprensa iraniana e tem como base dados contabilizadas pela rede humanitária Crescente Vermelho.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, os ataques teriam matado o ministro da Defesa do país e o comandante da Guarda Revolucionária, mas ainda não há confirmação. O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à NBC News que o o aiatolá Ali Khamenei está vivo, até onde se sabe. “Todos os funcionários de alto escalão estão vivos. Todos estão agora em sua posição, e estamos lidando com essa situação”, declarou ele.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, classificou o ataque como “preventivo”, ordenado para “evitar ameaças”. O presidente americano, Donald Trump, confirmou os ataques e disse que o objetivo é defender o povo americano e garantir “que o Irã não terá uma arma nuclear”.
Em resposta, o Irã lançou um ataque a instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar. O regime também lançou mísseis e drones contra Israel. Os drones levarão várias horas para chegar até território de Israel e, em ataques semelhantes anteriores, a grande maioria foi interceptada por caças antes de atingir as fronteiras israelenses. O lançamento, no entanto, serve para forçar a defesa israelense a reagir, abrindo espaço para que mísseis mais poderosos consigam penetrar.
Negociações fracassadas
O ataque deste sábado ocorre após o fracasso da última rodada de negociações entre EUA e Irã, vista como a possível última saída diplomática. Sobre o tema, Trump afirmou: “sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”.
Em sequência, o presidente citou a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã.
Na quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.
Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.
A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.
Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os EUA seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate.
Ao todo, os EUA reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.
