Menina de Itaberaí que furou a segurança do presidente reaparece

Menina de Itaberaí que furou a segurança do presidente reaparece

Em 1983, uma menina de 13 anos, nascida em Itaberaí, no interior de Goiás, protagonizou uma cena que entraria para a história: ela furou a segurança do então presidente da República e entregou, em mãos, uma carta pedindo uma casa para a família. Mais de quatro décadas depois, o vídeo voltou a circular nas redes sociais, despertando a curiosidade de muita gente sobre quem era aquela garota [assista abaixo]. Hoje, com 56 anos, Andréa de Oliveira trabalha como cuidadora de idosos e vive em Brasília. É mãe de três filhos, avó de oito netos e tem uma bisneta pequena.

Em entrevista ao Mais Goiás, Andréa revelou bastidores inéditos daquele dia — incluindo o susto da mãe ao descobrir o que ela havia feito em plena ditadura militar — e contou como está sua vida atualmente.

A entrega da carta

Ao voltar ao passado, a goiana conta que a história que a tornou conhecida nacionalmente começou em um dos momentos mais difíceis de sua vida. “Naquela época, a gente morava de aluguel, minha mãe ficou desempregada”, relembra.

Na época, com apenas 13 anos, Andréa escreveu uma carta curta ao presidente. A mãe não sabia de nada. “A carta tinha poucas palavras. Minha mãe não sabia que eu ia fazer isso, eu fui tentar mudar a nossa vida. A necessidade falou mais alto no meu coração e era a única opção que eu tinha”, contou.

“Em momento nenhum achei que não daria certo. Na época, pensei: ‘É o presidente da República, se aquele ali não puder me ajudar, ninguém mais pode’. Fui com muita fé, com muita esperança, era minha única chance”, acrescenta.

Abordagem ao presidente na ditadura

O episódio aconteceu na rampa do Palácio do Planalto, no Distrito Federal. Andréa, que não era boba nem nada, sabia exatamente quando o presidente passaria. “Eu sabia que ele descia a rampa porque eu tinha ido uma vez com a escola e visto. Aí, no dia, fui sozinha. Quer dizer, eu e Deus.”

Após a entrega da carta, ela precisou voltar para casa em um carro oficial. “Minha mãe não sabia que eu estava fazendo isso, ela se assustou. Eu tive que voltar pra casa no carro da Presidência da República, porque eu tava sozinha.”

Mas o receio da mãe tinha motivo. “Minha mãe morreu de medo pelo fato de que vivíamos numa ditadura militar, porque as pessoas poderiam achar que alguém tinha mandado eu fazer alguma coisa contra o presidente da República.”

Repercussão — e irritação

No vídeo antido é possível ver que, logo após entregar a carta, a mini Andréa foi cercada por jornalistas. O que muitos internautas notaram foi que ela aparece “irritada” diante da abordagem. Sobre isso, ela relembra, aos risos.

“Eu me irritei porque era muito repórter em volta. Mas, olha, eu ainda sou meio irritada até hoje viu. Mas, na hora, começaram muitas perguntas, fiquei assustada.” Daí veio a repercussão, que foi enorme. “Na época eu fiquei conhecida. Era um presidente, então subir uma rampa e romper a segurança militar, era bem diferente.”

A casa e a mudança de vida

Mas e o pedido da casa, deu resultado? Sim. Segundo Andréa, foram cerca de seis meses entre a entrega da carta e a conquista da moradia para ela, a mãe e dois irmãos. “Foi maravilhoso receber a casa. A partir dali, a gente tinha onde morar e não ia mais pagar aluguel. Era horrível antes viver no medo de que, a qualquer momento, chegaria alguém e falaria: ‘vocês não pagaram aluguel, terão que ir pra rua’.”

“Foi uma fase extremamente difícil. Éramos todos crianças, pais separados, meu irmão mais novo tinha apenas dois anos, filhos de uma mulher analfabeta que tinha que dar conta. Muitas vezes a gente passou necessidade de não ter o que comer.”

A família morou no imóvel por dois anos. Depois, decidiu vender e buscar um imóvel melhor.

Vídeo viralizou e trouxe memórias

Décadas depois, Andréa conta a reação ao ver que o vídeo passou a circular nas redes sociais. “Senti como se tivesse voltado a viver aquilo. Não é uma história contada, é uma história vivida.”

Apesar da repercussão, a família não tem registros fotográficos da casa que ganhou. “Naquela época, a gente não tinha o hábito e nem dinheiro para tirar fotos”, diz Andréa.

Assista

Na época, em entrevista concedida logo após o encontro com o presidente Figueiredo, Andréa resumiu: “Eu só pedi onde morar”. Segundo registros da época, após receber o pedido, o político determinou que a Casa Civil apurasse o caso. Assistentes sociais confirmaram a situação da família, que posteriormente foi contemplada com uma moradia por meio de programa habitacional federal.

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Fonte Original Mais Goias

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