Maioria da UE pede negociações sobre fluxo de migrantes para enclave de Ceuta

Uma maioria de países da UE pediu, no sábado, 1ºnegociações de emergência sobre a chegada repentina de dezenas de milhares de migrantes ao enclave espanhol de Ceuta, no norte da África. Uma carta aberta dos líderes de 22 dos 27 membros do bloco exigiu que os ministros do Interior realizassem uma reunião por videoconferência “em caráter de urgência” para formular uma resposta coordenada e rápida, e para “impedir novas travessias descontroladas”. “Temos o dever de dissuadir efetivamente e combater implacavelmente a migração ilegal”, diz o texto.
A carta foi iniciada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni — cujo país suspendeu temporariamente as regras da área de Schengen com a Espanha — e por sua homóloga dinamarquesa, Mette Frederiksen, que afirmou na sexta-feira que a UE deveria considerar a suspensão da cooperação de Schengen com a Espanha. Entre os outros signatários estão o chanceler alemão Friedrich Merz e os primeiros-ministros da Hungria, Suécia e Polônia, mas não os líderes da França e de Portugal, países que fazem fronteira direta com a Espanha.
“Não podemos permitir que travessias em massa descontroladas, a instrumentalização da migração ou outras ameaças híbridas criem a percepção de que a entrada ilegal na União Europeia é possível”, afirma a carta. “Tal percepção encorajaria novas tentativas, minaria a confiança em nossa política migratória comum e teria repercussões para todos os Estados-Membros.”
O documento sugeriu que “os ministros deveriam considerar, em particular, um apoio reforçado da Frontex e a eficácia da cooperação da UE com o Marrocos”. “Registramos que não houve movimentos subsequentes não autorizados em direção à Europa”, acrescentou.
O Ministério do Interior da Espanha informou no sábado que quase todos os 60.000 migrantes que cruzaram a fronteira desde quarta-feira já haviam partido e que a situação em Ceuta estava praticamente normalizada.
(Com AFP)
