Liga dos Blocos projeta 150 mil foliões e rede hoteleira lotada no pré-Carnaval de Goiânia
COLUNA DO DOMINGOS KETELBEY
A Liga reúne nove blocos com perfis musicais distintos, do rock à eletrônica, do axé às marchinhas
Liga dos Blocos Pré-Carnaval projeta alta circulação de pessoas no próximo sábado em Goiânia (Foto: Divulgação)
O pré-Carnaval de Goiânia deixou de ser aquecimento para virar motor econômico. A Liga dos Blocos Pré-Carnaval de Goiânia estima que 150 mil pessoas circulem pelos blocos neste fim de semana, número que ajuda a explicar um dado que fala por si: hotéis praticamente esgotados na capital. “A gente sente isso na cidade inteira. A rede hoteleira está praticamente 100% ocupada”, afirma o presidente da Liga, Guilherme Junqueira em entrevista exclusiva à coluna. A cidade se prepara para um fluxo que atravessa música, bares, ambulantes, transporte, segurança privada e centenas de trabalhadores temporários espalhados pela festa.
“Cada bloco traz uma coisa diferente, mas a união de todos vai fazer uma festa muito linda e muito segura”, diz Junqueira. Segundo ele, a organização coletiva, com apoio do poder público, foi decisiva para a escala que o pré-Carnaval alcançou. “Com o apoio da Retomada, da Secult, da Prefeitura e do Governo como um todo, a gente consegue entregar um evento bem estruturado para todo mundo.”
Cada bloco mobiliza de 50 a 150 pessoas em operação direta. “Enquanto alguns estão festejando, muitos estão trabalhando”, resume. No caso do Carnarock, organizado por ele, são 180 colaboradores entre diretos e indiretos para receber de 1.000 a 1.500 foliões na concentração no Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira.
A Liga reúne nove blocos com perfis musicais distintos, do rock à eletrônica, do axé às marchinhas: Carnarock, Bloquinho Aê, Bloco Cerrado, Sobe no Meu Trem, Não Enche Meu Sax, Nord 23/K10, Cateretê, Madá que Meu Pai te Chama e Medellín. “Tem samba, pagode, axé, música eletrônica, rock. Tem para todos os gostos. Cada bloco tem sua tribo e isso espalha o público pela cidade”, afirma.
No sábado (7), todos os trios deixam suas concentrações às 18h em direção à Avenida 85, onde ocorre a reunião geral dos blocos e a chamada “pipoca”, gratuita, com show de Léo Santana.
Centro no roteiro e bares no caminho
O trajeto do Carnarock aposta no Centro como vitrine. “O centro está muito vivo hoje. A gente quer aumentar isso”, explica Junqueira. O cortejo sai do Estádio Olímpico, passa por vias como Paraíba e Tocantins, contorna a região da Rua do Lazer e alcança a Avenida 85, cruzando áreas de forte concentração de bares.
“A gente passa por ruas que têm muitos bares tradicionais. Isso gera um reflexo direto para o comércio local. Os ambulantes, os pequenos comércios, todo mundo sente esse impacto”, diz.
A percepção é confirmada por entidades do setor. Segundo o presidente da Liga, Sindbares Goiás e Abrasel Goiás relatam aumento expressivo no movimento de bares e restaurantes durante o pré-Carnaval.
Organização recente, impacto crescente
Criada em 2023 para dar coordenação aos blocos, a Liga ajudou a padronizar horários, rotas e diálogo com o poder público. “A Liga veio para organizar. O número de blocos aumenta, o público aumenta e a gente consegue fazer isso de forma coordenada”, afirma Junqueira.
A conta fechada do impacto econômico ainda será feita depois da festa, mas os sinais antecedentes já indicam o tamanho da engrenagem. “É uma movimentação muito grande. É um momento que gera oportunidade para muita gente trabalhar”, conclui.
