Israel bombardeia Síria e eleva temores de uma nova frente no conflito no Oriente Médio

Israel bombardeia Síria e eleva temores de uma nova frente no conflito no Oriente Médio

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O Exército de Israel anunciou em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, 20, que atacou “infraestruturas do regime” no sul da Síria. Embora os bombardeios não estejam relacionados à guerra que israelenses travam ao lado dos Estados Unidos contra o Irã, a nova camada de tensões eleva os temores sobre a abertura de uma nova frente no conflito que abala o Oriente Médio há três semanas.

De acordo com as forças de Tel Aviv, os disparos foram uma resposta a ataques de militares sírios contra a minoria drusa do país.

“Durante a noite, o Tsahal (Exército israelense) atacou um quartel-general e armamentos em campos militares do regime sírio no sul da Síria. Foi uma resposta aos acontecimentos de ontem (quinta-feira), durante os quais civis drusos foram atacados na região de Sweida”, explica a nota.

O Exército israelense advertiu que “não permitirá que os drusos na Síria sejam alvo de ataques e continuará atuando para garantir sua proteção”. Também indicou que “continua acompanhando de perto a evolução da situação no sul da Síria”.

Violência sectária

O governo israelense tem procurado se apresentar como defensor dos drusos desde a derrubada do regime do ex-ditador sírio Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. A maior parte da população segue a vertente sunita do islã, defendida pelo novo presidente, Ahmed al-Sharaa e suas forças, mas há diversas minorias, como alauítas, drusos, beduínos e curdos. Tensões sectárias persistentes configuram como um dos maiores desafios de seu governo.

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A desconfiança entre grupos minoritários em relação à administração persiste – desconfiança essa que foi aprofundada pelos assassinatos em massa de alauítas em março de 2025, que deixaram 1.600 mortos. A violência foi interpretada, em parte, como uma vingança, já que a família Assad é alauíta.

Em julho passado, embates entre tribos beduínas e a minoria religiosa drusa — que é predominante em Sweida — deixaram mais de 100 mortos depois do influente xeque druso Hikmat al-Hajri emitir um comunicado acusando as tropas do governo (que entraram na cidade com aval da liderança espiritual drusa) de violarem um cessar-fogo anterior e instar combatentes a confrontarem o que ele descreveu como um ataque bárbaro.

Embora tenha características específicas, o ataque de Israel à Síria preocupa, já que o Oriente Médio é cenário, desde 28 de fevereiro, de uma guerra desencadeada por um ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que responde com ações de represália contra mais de uma dezena países da região. Desde então, uma nova frente do conflito foi aberta no Líbano, onde o Hezbollah, milícia apoiada militar e financeiramente pelo regime iraniano, luta contra forças israelenses.

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