Irã fecha Estreito de Ormuz e alerta que incendiará qualquer navio que tentar passar

A Guarda Revolucionária do Irã informou nesta segunda-feira, 2, que o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo, está fechado e que qualquer navio que tentar ultrapassar o bloqueio será incendiado, em meio às tensões decorrentes dos ataques de Estados Unidos e Israel contra território iraniano no final de semana.
“O estreito (de Ormuz) está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, disse Ebrahim Jabari, conselheiro sênior da Guarda, em comunicado divulgado pela imprensa estatal.
Antes mesmo do anúncio oficial do fechamento, o transporte foi praticamente interrompido depois que seguradoras ameaçaram cancelar coberturas e elevar prêmios por conta das tensões na região, que já deixaram ao menos quatro petroleiros danificados, dois mortos e 150 navios parados no Estreito. Empresas como Gard, Skuld, NorthStandard, London P&I Club e American Club informaram que os cancelamentos entrariam em vigor a partir de 5 de março, de acordo com avisos datados de 1º de março em seus sites.
Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passam pelo estreito, artéria estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, separando o Irã da Península Arábica — com 33 km de largura no seu ponto mais estreito e faixa de navegação de apenas 3 km de largura em cada direção.
Mais de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis passaram pelo estreito diariamente no ano passado, em média, segundo dados da empresa de análise Vortexa.
Os membros da OPEP, Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, exportam a maior parte do seu petróleo bruto pelo estreito, principalmente para a Ásia. O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia quase toda a sua produção por lá.
Na semana passada, o governo do Irã já havia anunciado o fechamento temporário de trechos do Estreito de Ormuz por “precauções de segurança” durante exercícios conduzidos pela Guarda Revolucionária na região. Em ocasiões anteriores, ameaças de bloqueio ou incidentes no estreito provocaram alta nos preços do petróleo e volatilidade em bolsas asiáticas e europeias.
Nesse contexto, o barril de Brent do mar do Norte disparava por volta das 11h10 (horário de Brasília) 8,82% nesta segunda-feira, para 79,30 dólares, após ter superado em várias ocasiões os 80 dólares pela manhã.
Para o economista Sylvain Bersinger, fundador do escritório Bersingéco, essa situação faz “surgir o risco de um terceiro choque petrolífero, depois dos de 1973 e 1979 e após o choque do gás de 2022”.
“O cenário de um barril de petróleo que suba até 110 dólares (…) pode ser considerado um cenário crível”, disse à agência de notícias AFP.
Para os economistas do banco Natixis, “qualquer interrupção duradoura” do tráfego no estreito de Ormuz “teria importantes implicações para os mercados, mas também para a dinâmica da inflação e a estabilidade econômica global”.
Na Europa, as taxas de juros dos principais Estados subiam nesta segunda-feira, já que os investidores apostam em uma inflação maior. A taxa de juros alemã a dez anos, referência no continente, atingia por volta das 14h30 os 2,70%, contra 2,64% na sexta-feira.
