Instrutor de voo salta de avião e deixa aluna sozinha a bordo
oh céus
Diretor da escola de aviação diz que não tinha conhecimento de problemas prévios e relatou que ‘estava tudo bem’
Imagem: Redes Sociais
Via Folha de São Paulo – Um instrutor de voo se suicidou no sábado (5) ao se jogar de um avião durante uma aula na província de Córdoba, na Argentina. Leandro Andrés Bertazzo, 42, pilotava um Cessna C-150 ao lado de uma aluna de 22 anos quando abriu a porta da aeronave e saltou em pleno voo.
A estudante, que já tinha licença de piloto privado, mas somava poucas horas de voo, assumiu os comandos e conseguiu pousar o avião sozinha. Segundo o relato dela ao jornal argentino Clarín, Bertazzo havia acabado de orientá-la a manter a rota prevista quando tirou os fones, guardou seus pertences, desafivelou o cinto e se jogou.
Segundo depoimento do diretor da escola de aviação, o piloto teria dito à aluna: “Você sabe o que tem de fazer, siga em frente”.
“Assim que disse isso, Leandro tirou os fones de ouvido, deixou o celular de lado e abriu a porta —algo muito difícil de fazer devido à pressão do ar”, afirmou Eduardo Alvarez, da escola Flying Parrot Córdoba, à publicação argentina.
O caso ocorreu sobre uma área rural do município de Toledo, no departamento de Río Segundo. A aluna avisou por mensagem o que havia acontecido e pousou a aeronave. Bertazzo já estava morto quando foi encontrado.
O piloto trabalhava havia quatro anos como instrutor na escola, em Coronel Olmedo. Antes de cometer suicídio, ele havia conduzido, sem intercorrências, uma aula com outro aluno.
No depoimento ao Clarín, o diretor Eduardo Álvarez disse que a categoria continua em choque com o caso. Segundo ele, nada no comportamento de Bertazzo naquele dia sugeria o que ocorreria: “Nos cumprimentamos com um abraço e um beijo. Estava tudo bem”, afirmou.
Álvarez disse que a relação entre instrutor e aluno costuma ser próxima no âmbito profissional, mas que ninguém —nem os colegas nem quem voou com ele naquele dia— conseguiu antever a decisão de Bertazzo. “Evidentemente havia algo em sua psique”, afirmou o diretor.
Ele também disse que a escola exige que os instrutores não voem caso haja qualquer situação que os impeça de estar aptos, mas ponderou que é difícil identificar esse tipo de quadro sem conhecer o histórico pessoal de cada um. Segundo Álvarez, a família de Bertazzo disse, após a morte, que ele havia frequentado um instituto psiquiátrico —informação que não era de conhecimento dos colegas de trabalho.
O caso é investigado pela Justiça Federal de Córdoba, que apura incidentes aéreos no país.
