Ibovespa opera em queda em dia de dados fiscais e temporada de balanços no radar

Ibovespa opera em queda em dia de dados fiscais e temporada de balanços no radar

O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira, 6, com o mercado atento aos dados fiscais, que mostram um aumento da relação dívida/PIB. Investidores também observam a temporada de balanços, que leva os holofotes do mercado para o Bradesco após as projeções da companhia frustrarem o mercado. Por volta das 11h15, o Ibovespa recuava 0,15%, a 181.850,75 pontos. O dólar caía 1,09%, a 5,215 reais.

A agenda local é dominada pelo Balanço macrofiscal de 2025 e perspectivas para 2026. Nos dados, o Ministério da Fazenda projeta que a economia brasileira deve crescer 2,3% em 2026.. Em novembro a previsão era de um avanço maior: de 2,4%. O governo projeta queda da inflação e avanço do ajuste fiscal.

Segundo o relatório, a inflação medida pelo IPCA deve cair de 4,3% em 2025 para 3,6% em 2026, por conta da desvalorização recente do dólar, do excesso de oferta global de bens e combustíveis e dos efeitos defasados da política monetária contracionista.

O governo revisou também suas expectativas de crescimento do PIB no ano passado. Após surpreender positivamente em 2025, o crescimento foi estimado em 2,3% ante 2,2% projetados em novembro. Se confirmado esse resultado, haverá uma forte desaceleração da economia comparativamente a 2024, que apresentou crescimento de 3,4% na ocasião. Os dados do PIB de 2025 serão divulgados oficialmente em março pelo IBGE.

Na visão do governo, a atividade econômica deve manter ritmo parecido neste ano, embora com mudança na composição setorial. O governo prevê forte desaceleração da agropecuária, após a safra recorde do ano passado, compensada por maior expansão da indústria e dos serviços.

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Governo cumpre meta fiscal, mas alta da dívida preocupa mercado

A Fazenda afirma que o processo de consolidação iniciado em 2024 deve resultar no primeiro superávit primário desde 2013. Para 2026, a meta oficial é de superávit de 0,25% do PIB, o equivalente a 34,5 bilhões de reais, após compensações previstas na legislação. Em 2025, o déficit primário ficou em 13 bilhões de reais, ou 0,10% do PIB dentro do intervalo de tolerância do arcabouço fiscal.

A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 78,7% do PIB, pressionada principalmente pelo elevado custo dos juros. O relatório aponta, no entanto, que o crescimento econômico ajudou a conter o crescimento da dívida, fator que preocupa o mercado.

Balanços seguem no radar

No cenário corporativo, o mercado reage ao balanço do Bradesco. A companhia reportou lucro líquido recorrente de 6,51 bilhões de reais no quarto trimestre de 2025, alta de 20,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Embora o banco tenha apresentado um bom resultado, com avanço da rentabilidade e crescimento da carteira, analistas se frustraram com as projeções para 2026.

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Uma das frustrações é com o crescimento da carteira de crédito, que deve avançar entre 8% e 10%. No entanto, a companhia teve um crescimento de 11% em 2025. Ou seja, a projeção simboliza uma desaceleração no crescimento. Para o UBS BB, as projeções do banco frustraram ao ponto da companhia recalcular as estimativas de lucro.

O UBS estimava um lucro de 29 bilhões de reais para o Bradesco em 2026, mas o guidance divulgado pela companhia indica que o lucro deve ficar em 27,5 bilhões de reais em 2026. Essa percepção de menor lucratividade puxa as ações da companhia para baixo e é o principal fator para a ação do banco recuar 4,4% no pregão e pressionar o principal índice de ações da Bolsa. Ontem, o Ibovespa fechou em leve alta de 0,18%. No acumulado do ano, o indicador sobe 13,2%.

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