Ibovespa cai com taxação chinesa à carne brasileira e queda do petróleo afetando a Petrobras

Ibovespa cai com taxação chinesa à carne brasileira e queda do petróleo afetando a Petrobras

O Ibovespa perdeu o gás da abertura e fechou em queda nesta sexta-feira, 2, em dia de baixa liquidez com o viés negativo liderado pela taxação da carne bovina brasileira pela China. O cenário internacional também pesou, com a queda do petróleo puxando as ações da Petrobras para baixo após o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmar que está aberto para combater o narcotráfico ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A fala sinaliza uma busca de acordo do ditador da Venezuela para não sair do poder e ao mesmo tempo beneficiar os Estados Unidos.

O principal índice de ações da Bolsa brasileira recuou 0,36%, a 160.538,69 pontos. O cenário local pesou com a China aplicando uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem os limites de cota estabelecidos para seus principais fornecedores, entre eles Brasil, Austrália e Estados Unidos. A medida, anunciada pelo Ministério do Comércio chinês, entrou em vigor em 1º de janeiro, e terá duração de três anos, com aumento anual do volume total permitido.

Segundo Pequim, a cota global de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas, número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas importadas em 2024. Ainda assim, os novos limites ficam abaixo do volume embarcado nos primeiros 11 meses de 2025 por alguns dos maiores exportadores, especialmente Brasil e Austrália.

Ao anunciar as chamadas “medidas de salvaguarda”, o Ministério do Comércio afirmou que “o aumento na quantidade de carne bovina importada prejudicou seriamente a indústria doméstica da China”. A investigação que embasou a decisão foi iniciada em dezembro do ano passado e, segundo as autoridades, não teve como alvo nenhum país específico.

As importações chinesas de carne bovina somaram 2,59 milhões de toneladas nos primeiros 11 meses deste ano, queda de 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para Hongzhi Xu, analista sênior da Beijing Orient Agribusiness Consultants, as novas tarifas devem reduzir ainda mais o volume importado em 2026. Ele afirmou que a pecuária chinesa não é competitiva frente a países como Brasil e Argentina e que essa desvantagem não pode ser revertida no curto prazo.

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O governo brasileiro entrou em campo para tentar reduzir o impacto das salvaguardas impostas pela China à carne bovina, uma medida que ameaça um dos principais fluxos do comércio bilateral e pode custar bilhões de dólares ao setor exportador em 2026.

Em nota conjunta divulgada na quarta-feira, 31, os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), da Agricultura (Mapa) e das Relações Exteriores (MRE) afirmaram que o Brasil acompanha a decisão “com atenção” e que atuará de forma coordenada com o setor privado para defender os interesses da cadeia produtiva. O governo informou ainda que pretende tratar do tema tanto no diálogo bilateral com Pequim quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo o comunicado do governo, as salvaguardas não têm como objetivo combater práticas desleais, como dumping ou subsídios ilegais, e que são aplicáveis a importações de todas as origens. Ainda assim, autoridades brasileiras avaliam que a medida cria distorções relevantes em um mercado no qual o Brasil se consolidou como fornecedor estratégico.

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Para o setor brasileiro, o impacto potencial é significativo. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) estima que as salvaguardas podem resultar em perda de até US$ 3 bilhões em receita em 2026. Diante desse cenário, as ações das empresas do setor sofreram e fecharam entre as maiores quedas do dia. Os papéis da Minerva (BEEF3) tiveram a maior queda do pregão, com baixa de 6,77%, a 5,37 reais. As ações da MBRF, fusão das antigas Marfrig e BRF, caíram 1,7%, a 19,64 reais.

Maduro busca acordo com Trump

O pregão também não foi positivo para a Petrobras, que puxou ainda mais o índice para baixo. Os papéis da estatal caíram 0,36%, a 30,71 reais. A baixa foi causada pela queda de 0,12% dos preços do petróleo brent, que demonstrou sinais de fraqueza após o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, sinalizar que busca um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em entrevista ao jornalista espanhol Ignácio Romanet, gravada na véspera de Ano Novo e exibida na TV estatal venezuelana na noite de quinta-feira, 1º, Maduro disse que uma negociação com Trump seria benéfica para os Estados Unidos. O ditador afirmou que ofereceria acesso facilitado para empresas americanas ao petróleo venezuelano.

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“Ele me ligou na sexta-feira, 21 de novembro, da Casa Branca, e eu estava no Palácio de Miraflores. Conversamos por dez minutos, e foi, como eu disse, uma conversa respeitosa, muito respeitosa”, disse Maduro. O ditador afirmou que a Venezuela é um “país irmão dos Estados Unidos” e que não há motivos para embates ou qualquer truculência. Ele disse estar aberto para tocar qualquer negociação com Trump.

“Se eles quiserem ter conversas sérias sobre um acordo para combater o narcotráfico, estamos prontos”, disse Maduro. Desse modo, o mercado entende que Maduro estaria disposto a negociar o petróleo venezuelano com as empresas americanas para se manter no poder. O tom ameniza a pressão sobre petróleo, tendo em vista que a Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo.

Dólar cai pela atratividade do real

No mercado de câmbio, o dólar recuou 0,82%, a 5,432 reais. Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, afirmou que a moeda americana recuou em meio à atratividade da moeda brasileira em em relação à moeda americana, devido ao diferencial de juros. Os Estados Unidos estão com os juros na faixa de 3,5% a 3,75%. Já no Brasil, a Selic está em 15% ao ano, uma diferença de 11,25 pontos percentuais.

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“Os investidores optam por operações de carry trade, que consistem em pegar empréstimos em países de juros menores para aportar em países com juros maiores. Mesmo pagando o juro no país desenvolvido, o diferencial de taxas é tão grande que ainda é possível lucrar com essa tática. Isso traz fluxo de capital para o Brasil”, explica Cima.

Em suma, o primeiro pregão do ano começa com correção após o Ibovespa subir 34% ao longo de 2025. Para saber o que esperar da Bolsa em 2026 e onde investir ao longo do ano, leia a última edição da Veja Negócios.

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