Hulck, o ‘cão herói’ da PM do Rio, receberá cruz de bravura por ação histórica
Com quase cinco anos de idade e de serviços prestados à segurança do Rio, o cão da PM Hulck receberá a cruz de bravura da corporação. O pastor-belga-de-malinois será homenageado numa solenidade na próxima semana dentro do Batalhão de Ações com Cães (BAC), em Olaria, por ter sido responsável pela maior apreensão de drogas registrada no país: na madrugada de quarta-feira, 8, ele farejou um bunker do tráfico no Complexo da Maré que armazenava nada menos que 48 toneladas de maconha. Nenhum policial “humano” teria a capacidade de descobrir o material, dentro de uma estrutura completamente fechada com concreto, na comunidade Nova Holanda. “Em um determinado ponto da operação, ele mudou o comportamento, sinalizando que estava farejando algo. Ficou mais ativo, começou a colocar a pata em determinados locais, chamando a atenção do seu condutor”, explica o comandante do BAC, tenente-coronel Luciano Pedro Barbosa da Silva. Hulck ficou agitado junto a uma cisterna abandonada.

Como desde pequeno o animal, nascido dentro do BAC, mostra grande vocação com o seu faro apurado para armas e drogas, as equipes logo foram verificar o que havia dentro do local. “A estrutura era toda blindada, e e os policiais só conseguiram entrar se arrastando após quebrar a parte de baixo da cisterna. O cão possui poder olfativo cem vezes superior ao do ser humano. Com tudo lacrado, os policiais não teriam capacidade de encontrar a droga”, completa o comandante.
Para a PM, os traficantes, quando precisavam retirar parte da maconha, quebravam o concreto e depois fechavam a estrutura de novo.

Filha de Hulck na operação
Seis cães do BAC participaram da operação, entre eles Hilda, filha de Hulck, também com grande talento para o trabalho policial. Ainda no local da operação, o cachorro foi transformado em herói, recebendo muito carinho dos agentes, que não paravam de tirar fotos com o companheiro da PM. Hulck começou a ser treinado aos seis meses e logo revelou aptidão para farejar armas e drogas. Ele, que integrou outras grandes operações, tem escala igual à dos PMs, de oito horas. Após um dia de trabalho, o “agente” folga três, período em que participa de treinamentos e tem seus momentos de lazer. O seu brinquedo é uma bolinha de tênis.
O curioso é que os cães policiais, quando em operação, não estão atrás de drogas, armas e explosivos, e sim da recompensa. E o presente é justamente o brinquedo: “Existe uma lenda urbana de que os cães treinados são viciados na droga. Isso não existe. No treinamento, eles não têm contato físico com a droga; apenas sentem o odor da droga acondicionada em sacos plásticos”, explica o tenente-coronel do BAC, batalhão que possui 80 cães, a grande maioria da mesma raça de Hulck, considerada perfeita para o serviço. “E, nos treinamentos, trabalhamos com a bolinha de tênis. Então, quando eles estão patrulhando a favela, não estão buscando drogas. O que eles querem é ganhar o brinquedo depois”.
O comandante garante que Hulck só tem cara de bravo: ele é super tranquilo e receptivo a afagos. Na operação da Maré, de combate a quadrilhas de roubos de veículos e cargas, ele contou com a companhia não só de Hilda e de outros cães, como de 250 PMs de diferentes batalhões.
