Haja, coração: em campo, na Copa de 2026, a pior seleção brasileira da história

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A seleção brasileira vive um momento singular às vésperas de uma Copa. Segundo a tradição, o esporte preferido da torcida nesta época era o de chutar o técnico. Telê, Zagallo, Parreira, Felipão… Nenhum deles escapou das vaias das arquibancadas. Agora, a grande unanimidade e maior nome do time é o homem do banco, o treinador italiano Carlo Ancelotti. Isso mostra que há algo errado em campo e a mais nova convocação, anunciada nesta segunda, 16, deixa o problema evidente: com todo respeito aos atletas, é o pior time nacional de todos os tempos.
Não adianta passar o pano para essa dura realidade dizendo que, se não há craques, há bons nomes em quase todas as posições, alguns até bastante badalados, a exemplo de Vinicius Jr. e Raphinha. O argumento não cola. Considere uma possível formação para o meio de campo nos próximos amistosos: Casemiro, Andrey e Fabinho. É de arrepiar. Nem nos piores momentos o escrete esteve tão mal servido no setor. Até no Mundial de 90, quando o Brasil foi eliminado pela Argentina nas oitavas, pior resultado em 36 anos, havia gente melhor por ali. Dunga seria o capitão do tetra quatro anos depois. Alemão se destacava no Napoli e Valdo era conhecido como o mago do PSG. Aquele time tinha ainda uma defesa de alto nível e dois laterais que fizeram história, Branco e Jorginho.
Quando se chega ao ataque, a comparação fica ainda pior. Desde o final dos anos 70, grandes nomes praticamente se sucederam no comando do ataque do Brasil: Reinaldo, Careca, Romário e Ronaldo Fenômeno. O que temos agora no time? Mateus Cunha, Igor Thiago e João Pedro. Não por acaso, até o pontapé inicial da Copa, muita gente ainda vai rezar para ver em campo Neymar, mesmo que ele tenha feito há séculos uma partida digna de sua fama. Vai que o milagre acontece, né?
Em torneios curtos, como a Copa, seleções comuns costumam se agigantar depois de uma vitória sofrida. Jogadores comuns podem se superar, vivendo um curto período de genialidade, até que suas estrelas voltem a se apagar. É possível que tudo isso aconteça com o Brasil, é verdade. Por isso, nossa esperança reside no campo do acaso futebolístico batizado por Nelson Rodrigues de sobrenatural de almeida.
Sim, amigos, quando a bola rolar, haja coração.
