Guerra pode segurar juros, travar investimentos e reduzir IPOs, diz Bradesco

Guerra pode segurar juros, travar investimentos e reduzir IPOs, diz Bradesco

A guerra no Oriente Médio pode manter os juros em um patamar elevado por mais tempo, afirmou Bruno Boetger, Vice presidente do Bradesco, responsável pelo banco de atacado, em entrevista coletiva à imprensa nesta terça-feira, 7. O banco passou a projetar que a Selic encerrará o ano em 12,5% ao ano, acima da estimativa anterior de 12%, em razão do início do conflito.

Segundo o executivo, essa mudança de cenário tende a reduzir o volume de ofertas de ações na Bolsa, tanto primárias quanto secundárias. Para 2026, Boetger estima cerca de 10 operações entre IPOs e follow-ons, com movimentação total de aproximadamente 15 bilhões de reais.

“Essa estimativa já considera os impactos da guerra, que, se se estender além do esperado, deve manter a Selic em um nível elevado por mais tempo”, disse Boetger.

O executivo prevê ao menos um IPO neste ano entre as ofertas de ações estimadas. As outras nove operações devem ser follow-ons. Enquanto o IPO marca a estreia de uma empresa na Bolsa, o follow-on ocorre quando uma companhia já listada realiza uma nova oferta de ações.

De acordo com o Bradesco, tanto os IPOs quanto os follow-ons devem ser liderados por empresas de infraestrutura, especialmente dos setores de energia, saneamento, portos e rodovias.

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Guerra também pressiona empresas e mercado de crédito

Além de reduzir o apetite por ofertas de ações, a guerra no Oriente Médio também tende a prejudicar o ambiente para as empresas, segundo Boetger. Na avaliação do executivo, a inflação global provocada pelo conflito pode pressionar os custos operacionais e, ao mesmo tempo, dificultar o alongamento das dívidas corporativas.

Isso porque empresas que precisam refinanciar ou estender seus passivos acabam fazendo esse movimento em condições mais caras, o que pressiona seus balanços e torna o mercado de crédito mais seletivo. “Isso machuca os balanços das empresas e tem deixado o mercado de renda fixa mais seletivo”, afirmou.

O executivo estima que as emissões de títulos de dívida em 2026 devem somar 550 bilhões de reais, uma queda de 25,7% em relação a 2025. “Os gestores estão mais seletivos e devem fazer caixa e aportar em títulos mais seguros, como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de grandes bancos ou papéis do Tesouro”, conclui Boetger.

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