Groenlândia protesta contra Trump em frente a novo consulado dos EUA: ‘Não está à venda’

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Centenas de moradores da Groenlândia se reuniram em frente ao consulado dos Estados Unidos na capital, Nuuk, para protestar contra as ambições do presidente Donald Trump sobre a ilha. A manifestação ocorreu na noite de quinta-feira 21, em reação à inauguração da nova representação diplomática e à visita, sem convite oficial, do “enviado especial” que Trump designou para o frio território.
“Nosso governo já disse a Donald Trump e sua administração que a Groenlândia não está à venda”, disse o gerente de contas de TI Aqqalukkuluk Fontain, 37, em entrevista à emissora britânica BBC. Responsável por organizar a manifestação, que reuniu cerca de 500 pessoas, ele destacou que o objetivo não era provocar Washington, mas “mostrar ao mundo que a Groenlândia tem sua própria democracia”.
Apelidado (pejorativamente) de Trump Tower, o novo consulado dos Estados Unidos fica em uma localização de destaque no centro de Nuuk e foi inaugurado horas antes da mobilização. Para muitos moradores, o novo edifício de 3 mil metros quadrados não é nada desejado, por simbolizar uma expansão da presença americana no território.
Embora Trump tenha descartado, em janeiro, anexar o território semi-autônomo pertencente à Dinamarca pela via militar, o ocupante do Salão Oval reiteradamente cita sua importância estratégica para defender que a ilha gelada deveria estar sob a esfera de influência americana. A Casa Branca tem realizado negociações com autoridades groenlandesas e dinamarquesas para um acordo, ainda obscuro, que aumente a presença de bases militares dos Estados Unidos na área (e talvez inclua ainda acesso privilegiado aos minerais de terras raras no seu subsolo).
Visita indesejada
Apesar das tensões já estarem altas, a mobilização foi organizada no contexto da visita indesejada do governador da Louisiana, Jeff Landry, que desembarcou na Groenlândia na semana passada. Nomeado enviado especial para a Groenlândia, Landry veio acompanhado de uma delegação controversa, que incluía um médico incumbido de “avaliar as necessidades médicas” dos groenlandeses, gerando críticas das autoridades e população locais.
Após desembarcar na ilha no último domingo 17, ele participou brevemente de uma cúpula de negócios, em um esforço para “construir laços e fazer amigos”, e de uma reunião com o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen — mas foi ignorado por vários empresários. Na quinta 21, manifestantes argumentaram que a visita de Landry foi uma falta de respeito. As centenas de pessoas atravessaram o centro de Nuuk gritando “Groenlândia para os groenlandeses”, instantes antes de ficarem em silêncio e de costas para o consulado.
