Goiás abre 3,7 mil vagas, mas salário é 11% menor

Goiás abre 3,7 mil vagas, mas salário é 11% menor

Goiás criou 3.780 empregos com carteira assinada em junho, mas o salário médio oferecido nas novas contratações ficou 10,8% abaixo da média nacional. Enquanto o trabalhador admitido no estado recebeu, em média, R$ 2.145,07, o valor registrado no país chegou a R$ 2.404,34. A diferença foi de R$ 259,27.

Os dados fazem parte do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na quarta-feira (29). O resultado decorre de 81.728 admissões e 77.948 desligamentos registrados no estado durante o mês. O levantamento está disponível no MTE.

Economista e contador, Marcelo Marques avalia que o resultado apresenta duas situações distintas: a recuperação do número de empregos e a permanência de uma diferença salarial entre Goiás e o restante do país. “Goiás volta a criar empregos, o que representa uma recuperação em relação a maio. Ao mesmo tempo, o salário inicial permanece abaixo das médias regional e nacional. A quantidade de vagas importa, mas a remuneração define quanto esse emprego consegue ampliar o consumo, a qualidade de vida das famílias e a própria atividade econômica”, afirma.

Salário de Goiás é o menor da região

O salário médio de admissão em Goiás também ficou R$ 145,82 abaixo da média do Centro-Oeste, calculada em R$ 2.290,89. Entre as quatro unidades da Federação da região, o estado apresentou o menor valor.

O Distrito Federal liderou o ranking regional, com remuneração inicial média de R$ 2.431,74. Mato Grosso apareceu na sequência, com R$ 2.400,91, seguido por Mato Grosso do Sul, com R$ 2.282,70. Goiás ocupou a última posição, com R$ 2.145,07.

A diferença entre Goiás e o Distrito Federal chegou a R$ 286,67. Em relação a Mato Grosso, o trabalhador admitido em território goiano recebeu R$ 255,84 a menos. Na comparação com Mato Grosso do Sul, a distância foi de R$ 137,63.

Segundo Marcelo Marques, a composição da economia e o perfil das vagas abertas ajudam a compreender as diferenças entre os salários pagos nos estados.

“A remuneração de entrada depende dos setores que mais contratam, das funções oferecidas, da escolaridade exigida e do nível de produtividade das empresas. Estados com maior concentração de atividades tecnológicas, financeiras, administrativas ou de alta especialização tendem a apresentar salários de admissão mais elevados. Quando as contratações se concentram em funções operacionais e atividades de menor remuneração, a média salarial fica mais baixa”, explica.

O economista ressalta que o Caged não informa o salário médio de toda a população ocupada. O indicador considera apenas o valor informado nos contratos iniciados durante o mês.

“Não podemos afirmar que o salário de todos os goianos é 11% menor. O dado mostra que o salário médio das pessoas contratadas em junho foi 10,8% inferior à média das admissões no Brasil. Essa diferença metodológica precisa aparecer para evitar uma conclusão que o levantamento não permite”, pontua Marques.

Salário apresenta crescimento real

Apesar da diferença em relação ao país, o salário médio de admissão em Goiás apresentou crescimento real de 0,25% sobre maio, quando ficou em R$ 2.139,64. Na comparação com junho de 2025, quando o valor corrigido pela inflação era de R$ 2.098,13, a alta real chegou a 2,24%.

O cálculo considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O MTE exclui remunerações inferiores a 0,3 salário mínimo, valores superiores a 150 salários mínimos e contratos de trabalho intermitente.

Para Marcelo Marques, a alta real representa um resultado positivo, mas ainda insuficiente para eliminar a diferença entre Goiás e as demais unidades do Centro-Oeste.

“O salário inicial cresce acima da inflação na comparação anual, mas Goiás continua na última posição regional. Isso mostra que houve ganho real, porém a distância em relação aos outros estados permanece. A evolução precisa ser acompanhada por vários meses para sabermos se existe uma trajetória de recuperação salarial ou apenas uma oscilação mensal”, analisa.

Estado recupera vagas após resultado negativo

O saldo positivo de junho reverte o resultado registrado em maio. Na divulgação inicial daquele mês, Goiás havia fechado 2.742 postos de trabalho. Após a inclusão de declarações enviadas fora do prazo, o MTE revisou a perda para 2.511 vagas.

O saldo de junho elevou em 0,24% o estoque de empregos formais do estado. A taxa ficou abaixo da média brasileira, de 0,30%, e da variação de 0,46% registrada no Centro-Oeste.

Na comparação anual, o resultado de junho deste ano também ficou abaixo do saldo de 7.633 vagas contabilizado em junho de 2025. A diferença foi de 3.853 empregos, o que corresponde a uma queda de 50,5%.

Marcelo Marques afirma que resultados isolados podem sofrer influência de fatores sazonais, como períodos de safra, encerramento de contratos, calendário comercial e ritmo de execução de obras.

“A passagem de um saldo negativo para um positivo mostra recuperação, mas um único mês não determina uma tendência. O resultado de junho de 2026 também corresponde a menos da metade das vagas criadas no mesmo mês de 2025. Por isso, a análise precisa considerar o acumulado do ano, a evolução dos setores e a sequência dos próximos levantamentos”, declara.

Goiás lidera geração de empregos no semestre

No acumulado de janeiro a junho, Goiás registrou 534.145 admissões e 489.829 desligamentos. O saldo chegou a 44.316 empregos formais, com crescimento de 2,88% no estoque.

Em números absolutos, Goiás apresentou o maior saldo do Centro-Oeste no primeiro semestre. Mato Grosso criou 31.835 vagas; o Distrito Federal, 27.732; e Mato Grosso do Sul, 18.531. O estado também alcançou o sétimo maior resultado do país.

Em junho, entretanto, Goiás ficou na terceira posição regional. Mato Grosso criou 8.258 empregos; o Distrito Federal, 5.504; Goiás, 3.780; e Mato Grosso do Sul, 2.075.

Para Marcelo Marques, o desempenho acumulado oferece uma visão mais ampla do mercado de trabalho goiano.

“O saldo de 44 mil empregos no semestre mostra que a economia goiana mantém capacidade de contratação. O desafio está em converter esse crescimento quantitativo em empregos com maior produtividade, qualificação e remuneração. Sem essa evolução, o estado pode ampliar o número de trabalhadores empregados sem reduzir a diferença de renda em relação ao país”, avalia.

Brasil cria 145 mil vagas

O Brasil abriu 145.161 empregos formais em junho, resultado de 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos. O saldo foi positivo em 25 das 27 unidades da Federação.

Os cinco grandes setores da economia criaram vagas. Serviços liderou, com 74.514 postos, seguido por agropecuária, com 22.898; comércio, com 19.177; indústria, com 14.438; e construção, com 14.136.

No primeiro semestre, o país criou 921.645 empregos com carteira assinada. O resultado ficou 25% abaixo do saldo de aproximadamente 1,23 milhão registrado no mesmo período de 2025. O estoque nacional alcançou 48,03 milhões de vínculos. Os números nacionais foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Marcelo Marques avalia que o saldo positivo preserva o crescimento do emprego formal, embora a comparação anual aponte um ritmo menor de abertura de vagas.

“O país continua criando empregos, mas o saldo acumulado perde velocidade em relação a 2025. Esse movimento pode refletir uma atividade econômica mais moderada, aumento dos desligamentos e decisões mais cautelosas das empresas. Para Goiás, o cenário nacional reforça a necessidade de acompanhar não apenas o volume de vagas, mas também os salários e os setores responsáveis pelas contratações”, conclui.

Leia também: Zoológico de Goiânia rescinde contrato de limpeza dos tanques dos hipopótamos

Fonte Original Mais Goias

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *