Fifa: Na Colômbia, Infantino recebe apoio do futebol sul-americano

Fifa: Na Colômbia, Infantino recebe apoio do futebol sul-americano

Para se manter no poder, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem recorrido a qualquer apoio que consiga reunir. Nesta sexta-feira, 7, ele buscou reforçar sua posição na Colômbia, onde recebeu manifestações de apoio de diversas figuras do futebol sul-americano em meio à pior crise enfrentada pela entidade máxima do futebol mundial nos últimos tempos.

Infantino desembarcou de madrugada no aeroporto de Cali para participar da posse do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, e não perdeu tempo em exibir proximidade com lideranças do futebol continental. Fotos divulgadas pela Federação Colombiana de Futebol o mostram sorridente ao lado do presidente paraguaio da Conmebol, Alejandro Domínguez, e do presidente da federação colombiana, Ramon Jesurun.

A crise que ronda a Fifa foi desencadeada por um plano controverso — depois abandonado — de abrir a entidade a investidores privados, com a criação de uma entidade comercial que ficaria responsável, entre outras tarefas, por organizar as Copas do Mundo. Questionado por um jornalista da AFP sobre se acreditava ter superado o momento turbulento, Infantino preferiu não responder. Horas depois, ao participar de um festival de futebol infantil em Cali, evitou de novo o tema e discursou sobre “felicidade”. “O futebol é alegria, o futebol é felicidade, o futebol é união”, disse a dezenas de crianças uniformizadas. “Devemos sempre olhar nos olhos dessas crianças — que não estão nem um pouco preocupadas com o que dizemos, com discursos e tudo mais; o que importa é fazermos todo o possível para que essas meninas e meninos possam aproveitar o esporte mais mágico de todos”, completou.

O discurso ocorre num momento delicado para Infantino: faltam oito meses para o fim de seu mandato, e uma nova eleição está marcada para março de 2027 — pleito no qual ele segue sendo o único candidato declarado. Mesmo assim, as críticas se multiplicam, sobretudo vindas da Uefa, que na quinta-feira manteve a ameaça de boicotar a Copa do Mundo, apesar da retirada da proposta polêmica. A própria Conmebol, que reúne apenas dez federações filiadas à Fifa — entre elas gigantes como Argentina e Brasil —, expressou na quinta-feira “preocupação com as repetidas ações unilaterais” do dirigente.

Ainda assim, é justamente entre os sul-americanos que Infantino tem encontrado seu porto seguro. Ao comentar o episódio à imprensa colombiana nesta sexta-feira, o próprio Domínguez amenizou o tom crítico da confederação: “Não se pode ignorar o grande trabalho” feito por Infantino, disse, defendendo o diálogo como caminho — “não é preciso concordar sempre”. Depois do apoio já manifestado por Argentina e Paraguai na quinta-feira, vieram as federações da Venezuela e do Equador nesta sexta, todas saudando o recuo da Fifa em relação à criação da polêmica entidade comercial. Em carta ao dirigente, o presidente da federação equatoriana, Francisco Egas Lareategui, afirmou confiar em Infantino “e naqueles que atualmente lideram o futebol” para seguir trabalhando pelo bem do esporte.

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Ao fim do dia, Infantino acompanhou a posse de Abelardo de la Espriella, realizada em Cali e não em Bogotá. O novo presidente colombiano, de 48 anos e eleito em 21 de junho, é uma figura de extrema-direita e aliado do americano Donald Trump — com quem o próprio Infantino cultiva relação próxima.

(Com AFP)

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