EUA reduzem vacinação infantil e especialistas alertam para risco de retorno de doenças

EUA reduzem vacinação infantil e especialistas alertam para risco de retorno de doenças

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira, 6, mais uma mudança no calendário de vacinação infantil: seis vacinas deixaram de ser recomendadas de forma rotineira. A decisão foi tomada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês), comandado por Robert Kennedy Jr., cuja gestão tem sido marcada por uma agenda antivacina.

Saíram da lista de recomendações universais as vacinas contra gripe, hepatites A e B, meningococo (bactéria causadora de meningites), vírus sincicial respiratório, associado à bronquiolite em bebês, e rotavírus, responsável por quadros graves de gastroenterite. Meses antes, a vacina contra a covid-19 já havia sido retirada do calendário infantil recomendado.

Com a mudança, esses imunizantes passam a ser indicados apenas para crianças consideradas de alto risco ou quando houver recomendação médica individual, em um modelo chamado de “decisão compartilhada” entre profissionais de saúde e famílias.

Em nota, o secretário de Saúde afirmou que a revisão busca alinhar os EUA ao que chamou de “consenso internacional” sobre imunização pediátrica. O governo citou países como a Dinamarca como referência, por adotarem calendários com menos vacinas obrigatórias na infância.

“O calendário estava inflado”, escreveu Trump em sua rede social. Segundo ele, os pais continuam livres para vacinar completamente os filhos, e os imunizantes seguirão cobertos pelos planos de saúde.

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Com a revisão, os EUA passam a recomendar 11 vacinas universais na infância — eram 17 antes da mudança. Em outros países, os modelos variam. A França, por exemplo, mantém 12 imunizações obrigatórias na infância, enquanto na Europa há desde calendários mais enxutos até esquemas mais amplos.

Já no Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é considerado referência mundial em vacinação e atualmente conta com 30 vacinas, considerando todas as fases da vida, sendo mais da metade indicada durante a infância.

Não é de hoje que Kennedy Jr. questiona a eficácia das vacinas. No ano passado, os EUA deixaram de recomendar a tetraviral para crianças menores de 4 anos, e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) passou a insinuar que vacinas poderiam causar autismo. Em dezembro, o CDC também votou para deixar de recomendar a vacinação contra a hepatite B ao nascer, defendendo a tomada de decisões individual por parte dos pais.

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As medidas, porém, vêm sendo amplamente criticadas por especialistas. Para Patrícia Vanderborght, doutora em Biologia Molecular e Genética Humana pela Fiocruz e responsável pelo setor de Imunização Humana da Rede D’Or–Richet Medicina e Diagnóstico, a decisão de reduzir e modificar o calendário vacinal infantil traz o risco de ressurgimento de doenças já controladas. Não à toa, os EUA já enfrentam uma crise relacionada ao retorno do sarampo.

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