EUA dizem que vão controlar vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado

EUA dizem que vão controlar vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado

O governo dos Estados Unidos pretende manter controle direto sobre as vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado, afirmou nesta quarta-feira (7) o secretário de Energia, Chris Wright.

Segundo ele, Washington planeja supervisionar a comercialização da produção venezuelana no mercado internacional, numa estratégia que, segundo o governo Trump, serviria para pressionar por mudanças políticas no país sul-americano.

“Daqui para a frente, nós venderemos a produção que sai da Venezuela no mercado”, disse Wright durante uma conferência do setor de energia promovida pelo banco Goldman Sachs, nas proximidades de Miami.

Ele afirmou que a administração Trump está em “diálogo ativo” com o governo venezuelano sobre o plano.

A declaração ocorre um dia depois de o presidente Donald Trump afirmar, em rede social, que a Venezuela entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos — o equivalente a até dois meses da produção diária do país. Trump acrescentou que o governo americano controlaria os lucros obtidos com essas vendas.

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“Precisamos ter essa alavancagem e esse controle das vendas de petróleo para impulsionar as mudanças que simplesmente precisam acontecer na Venezuela”, disse Wright, ex-executivo do setor petrolífero. Segundo ele, os recursos obtidos “podem voltar para a Venezuela para beneficiar o povo venezuelano”, embora não tenha detalhado de que forma isso ocorreria.

Caso seja implementado, o plano representará uma inflexão relevante na política americana em relação à Venezuela. Desde 2019, ainda durante o primeiro mandato de Trump, Washington impôs sanções severas ao país, incluindo à estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela), o que restringiu drasticamente a produção e as exportações de petróleo — principal fonte de divisas da economia venezuelana.

Mais recentemente, os EUA passaram a adotar medidas semelhantes a um bloqueio parcial, dificultando a saída de petroleiros carregados de óleo venezuelano. A estratégia reduziu a entrada de recursos no país, forçou o acúmulo de petróleo em tanques e navios ancorados e aprofundou a crise econômica, já marcada por hiperinflação, escassez e migração em massa.

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Especialistas em política internacional e energia apontam que a proposta levanta dúvidas jurídicas e geopolíticas. Não está claro sob qual base legal os Estados Unidos poderiam administrar diretamente as vendas de petróleo de outro país soberano.

Até a manhã desta quarta, autoridades em Caracas não haviam se pronunciado publicamente sobre as declarações, e a Casa Branca não respondeu a pedidos de esclarecimento.

Wright afirmou ainda que o governo mantém conversas tanto com a liderança venezuelana quanto com grandes empresas petrolíferas americanas que já atuaram no país, como Chevron.

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Executivos de algumas das maiores companhias ocidentais do setor devem se reunir com Trump na Casa Branca na sexta-feira, segundo pessoas a par do assunto.

Após as declarações do secretário, os preços internacionais do petróleo recuaram cerca de 1% na manhã desta quarta, refletindo a possibilidade de aumento da oferta venezuelana no médio prazo.

O secretário de Energia ecoou estimativas de analistas que apontam que a Venezuela poderia elevar sua produção em algumas centenas de milhares de barris por dia relativamente rápido, caso haja flexibilização das restrições.

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No entanto, uma recuperação mais robusta, acima do nível atual de cerca de 1 milhão de barris diários, exigiria investimentos de dezenas de bilhões de dólares e anos de trabalho, mesmo com o retorno de empresas estrangeiras.

“Para voltar aos números históricos de produção, são necessários tempo significativo e investimentos massivos”, disse Wright. “Mas por que não tentar?”

A Venezuela já produziu mais de 3 milhões de barris por dia no auge de sua indústria petrolífera, antes de anos de má gestão, falta de investimentos e sanções internacionais levarem ao colapso do setor.

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