Estudo aponta 316 feminicídios e tentativas em Goiás e acende alerta sobre avanço da violência

Estudo aponta 316 feminicídios e tentativas em Goiás e acende alerta sobre avanço da violência

INSEGURANÇA

Levantamento indica alta de feminicídio consumado e tentado em relação ao ano anterior e revela que maioria dos crimes ocorre dentro de casa

Goiás fecha 2025 com 60 feminicídios em 33 municípios (Foto: Agência Brasil)

Um estudo atualizado na última sexta-feira (27) e feito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) revelou que 316 mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa de feminicídio em Goiás, em 2025. O número representa aumento de 19 casos em relação a 2024 e confirma tendência de crescimento também no País, onde foram registrados 6.904 ocorrências, o maior total desde o início da pesquisa, que está na terceira edição e reúne dados oficiais e monitoramento independente.

A taxa goiana subiu de 8 para 8,5 ocorrências por 100 mil mulheres em um ano. Apesar de o crescimento ser menor que a média nacional, o índice ainda é considerado alto. Segundo a pesquisa, o indicador estadual supera o de mais de quinze unidades da federação. Ainda assim, a variação de 0,5 ponto foi uma das menores do país.

O levantamento mostra que o tipo mais frequente é o feminicídio em relações íntimas, quando o agressor é companheiro ou ex-companheiro, responsável por 75,48% dos casos. Outro dado considerado preocupante é que 22% das vítimas mortas já haviam feito denúncias contra os agressores.

O estudo também identificou padrões: cerca de 40% dos crimes aconteceram aos sábados e domingos, e dezembro foi o mês com mais ocorrências, somando 650 casos no cenário nacional. A explicação provável é o aumento do convívio familiar nesses períodos. A faixa etária mais atingida é de 25 a 44 anos, responsável por 55,7% das vítimas.

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Os impactos atingem também crianças e adolescentes, já que em 30% dos casos, menores presenciaram o crime, 69% das vítimas tinham filhos ou dependentes e 101 estavam grávidas. Ao todo, 1.653 crianças ficaram órfãs em 2025.

Quanto aos meios utilizados, armas brancas, como facas e objetos cortantes, foram empregadas em 49,74% das ocorrências, enquanto armas de fogo apareceram em 18,03%. Após os crimes, 67,8% dos suspeitos foram presos e 7,9% morreram. Dos agressores que vieram a óbito, 98,2% tiraram a própria vida.

Os registros da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) apontam 216 tentativas e 59 mortes por feminicídio no estado. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública com base em registros policiais formalmente instaurados.

Em nota, a pasta afirmou que o levantamento é feito com “critérios técnicos padronizados e metodologia transparente, auditável e alinhada às diretrizes nacionais” e que estudos independentes podem apresentar diferenças por utilizarem metodologias diferentes.

De acordo a pesquisa da UEL, além de coletar dados de secretarias estaduais, o levantamento também é baseado em monitoramento diário de notícias, análise de conteúdo, cruzamento com bases oficiais e revisão para eliminar duplicidades.

Casos de violência podem ser denunciados pelos telefones 190, 180 ou diretamente em delegacias especializadas.

Fonte Original Mais Goias

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