Enquanto escola no Rio exalta Lula, bloco em Belo Horizonte reza por Bolsonaro

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No país onde um desfile pode transformar líderes em enredo e fantasias em manifesto, o Carnaval deste ano expôs — mais uma vez — o quanto a festa popular também serve de termômetro político. Se, no Rio de Janeiro, a escola Acadêmicos de Niterói homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Belo Horizonte, foliões reunidos por grupos conservadores cantavam marchinhas e faziam orações pedindo liberdade para o ex-mandatário Jair Bolsonaro.
Batizado de Bloco da Anistia, o encontro se deu na região central da capital mineira e reuniu algumas centenas de apoiadores. A proposta ia além da defesa do ex-presidente: os participantes também pediam perdão judicial para condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. O repertório misturava hino nacional em ritmo carnavalesco, palavras de ordem contra o Supremo Tribunal Federal e momentos de oração coletiva — um contraste curioso entre festa e liturgia política.
Críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes apareceram em fantasias e adereços. Um dos organizadores subiu no trio elétrico com uma máscara que reproduzia o rosto do magistrado e a frase “eu sou a lei” estampada na camiseta, numa provocação que arrancou aplausos do grupo. Os abadás, vendidos por pouco menos de cinquenta reais, ajudaram a financiar a estrutura do evento.
Os responsáveis pelo bloco afirmam que a iniciativa também busca ocupar espaço cultural. Na visão deles, o Carnaval seria dominado por pautas progressistas — e a presença de um bloco conservador funcionaria como contraponto simbólico dentro da festa. A mobilização partiu de militantes ligados à direita em Minas Gerais, que pretendem repetir a experiência em outras cidades – episódio que mostra como o Carnaval brasileiro continua sendo mais palco onde diferentes visões de país tentam ganhar coro — seja em sambas grandiosos ou em marchinhas de protesto.
