Empresário de Catalão ajuda vítimas de terremoto na Venezuela

Empresário de Catalão ajuda vítimas de terremoto na Venezuela

O empresário Pedro Gravata, radicado em Catalão, está na Venezuela desde o dia 1º de julho para ajudar famílias atingidas pelos terremotos que devastaram o norte do país no fim de junho. Antes de se estabelecer em Goiás, o brasileiro viveu em território venezuelano, apresentou um programa de entrevistas e, segundo seu próprio relato, chegou a ser preso após conflitos com o governo de Nicolás Maduro.

“A Venezuela sempre foi a minha casa. Foi aqui que comecei a construir minha carreira e onde muitas pessoas me ajudaram. Não poderia ser diferente. Estou com eles nas horas boas e, principalmente, nas horas ruins”, explicou ao Mais Goiás.

Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela em 24 de junho, com apenas 39 segundos de intervalo. Segundo o balanço oficial divulgado na terça-feira (7), o número de mortos chegou a 3.685, enquanto quase 18 mil pessoas permanecem deslocadas.

Destruição e buscas por sobreviventes

Segundo Pedro, o cenário encontrado nas regiões atingidas é de destruição e desespero. “Em La Guaira, onde fica o aeroporto, vários prédios vieram abaixo. Em Caracas, muitos edifícios estão interditados por causa de rachaduras. Foi um caos. O povo tentando encontrar parentes nos escombros, muita gente desesperada”, relatou.

Gravata participa de uma mobilização voluntária de apoio às vítimas. Pela manhã, atua em um centro de assistência criado por um amigo, onde são preparadas refeições para equipes de resgate e voluntários. À tarde e durante a noite, permanece em La Guaira, auxiliando nas buscas por sobreviventes. Nas redes sociais, ele também tem divulgado as ações de apoio à população afetada pela tragédia.

“Mesmo depois de duas semanas da tragédia, ainda estamos procurando vítimas nos escombros. Ontem mesmo encontraram uma menina com vida”, contou.

(Foto: reprodução)

Segundo Pedro, apesar da chegada de ajuda internacional, muitas comunidades ainda aguardam assistência. “Está chegando muita ajuda do exterior e vi bombeiros de vários países, inclusive de Minas Gerais. Mas a área afetada é muito grande e existem locais onde o resgate ainda nem começou”, afirmou.

Pedro explica que decidiu retornar ao país por considerar a Venezuela parte de sua própria história. O empresário comandou por cinco temporadas o programa de entrevistas “Guayoyo con Gravata”, produzido em espanhol e voltado ao público latino. Em entrevistas concedidas no Brasil, afirmou que fazia críticas ao regime de Nicolás Maduro e que chegou a ser preso no país.

Entre os momentos mais marcantes da missão humanitária, Pedro relembra o resgate do corpo de uma criança. “A mãe estava perto. Fomos avisá-la. Ela se desesperou. Ao lado da criança havia uma boneca”, disse.

Ele afirma que a maior dificuldade enfrentada pelas equipes é localizar vítimas escondidas em toneladas de concreto. “O mais difícil é encontrar as vítimas, porque as vigas e colunas de concreto são muito grossas. Mas nada se compara à dor de ver pais que perderam os filhos.”

Brasil e outros países enviam apoio à Venezuela

Na avaliação do empresário, os números oficiais não refletem a dimensão da tragédia. “Acho que os números divulgados pelo governo são irreais. Acredito que o total de mortos seja muito maior, porque existem muitos lugares onde as buscas sequer começaram.”

Pedro também considera que as autoridades venezuelanas não estavam preparadas para enfrentar um desastre dessa magnitude, mas elogia o apoio internacional. “As autoridades locais não estavam preparadas para um desastre dessa dimensão. Falta estrutura, hospitais, bombeiros e muitos recursos. Mas a resposta internacional, inclusive do Brasil, tem sido muito positiva. O Brasil montou um hospital de campanha que atende cerca de mil pessoas por dia.”

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Fonte Original Mais Goias

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