Emendas parlamentares pulverizam investimentos e aumentam desigualdades, alerta Ipea

Emendas parlamentares pulverizam investimentos e aumentam desigualdades, alerta Ipea

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou uma análise minuciosa sobre os problemas das emendas parlamentares, que permitirão a deputados e senadores indicar o destino de 61 bilhões de reais só em 2026. O estudo foi encomendado pelo deputado Eduardo Bandeira de Mello (PV-RJ) nos primeiros dias de seu mandato. 

Em uma série de relatórios, o Ipea afirma que o uso eleitoral dos repasses resultou na pulverização do dinheiro das emendas para atender a interesses particulares e paroquiais de parlamentares, reduziu a efetividade da política pública, aumentou desigualdades na oferta de serviços, como os de saúde, e dificultou o monitoramento e o controle da verba desde a indicação até sua aplicação na ponta. 

Como soluções, o instituto propõe o fim da modalidade de transferência especial, conhecida como “emenda Pix”, por ser um dinheiro que cai direto no caixa da prefeitura, sem destinação pré-definida, e a criação de um índice de risco por emenda. O sistema emitiria alertas automáticos para os órgãos de controle. Repasses para organizações da sociedade civil constituídas há menos de cinco anos, por exemplo, seriam classificadas como de risco elevado e acionariam gatilhos para auditorias obrigatórias. 

O Ipea reconhece, contudo, que malfeitores poderiam se adaptar a essas diretrizes: “Uma vez conhecidos os critérios que elevam a pontuação de risco, atores podem ajustar seu comportamento para evitar sinais mais visíveis de irregularidade sem alterar substantivamente práticas problemáticas.” 

Responsável por encomendar o estudo, Bandeira de Mello avalia que não faltam só critérios técnicos de alocação das emenda, mas, também, critérios éticos e morais. “É preciso investigar se não está havendo devolução de parte da emenda como propina para financiar campanha ou colocar no bolso”, diz. 

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Diante das últimas revelações nas investigações sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, com políticos sem mandato indicando informalmente o destino de mais de 100 milhões de reais do Orçamento usando deputados como laranjas, Bandeira de Mello alerta para a hipótese de um chefão de partido condicionar o apoio à candidatura de um aspirante a congressista a ter, ele mesmo, ascendência sobre uma fatia das emendas parlamentares a que o postulante terá direito se for eleito. 

Para o gerente de pesquisa e advocacy da Transparência Internacional no Brasil, Guilherme France, o nível de responsabilização penal de parlamentares até aqui não corresponde ao tamanho do poder que eles alcançaram nos últimos anos sobre o orçamento público, apoderando-se de quase um quarto dos investimentos federais. 

“Apesar do papel de ordenadores de despesa, eles não assinam os contratos públicos firmados com esses recursos, não são responsáveis pelas licitações. Daí, a dificuldade de se punir malfeitos”, adverte o advogado. Com o ritmo vagaroso das investigações no Judiciário, a omissão do Executivo e a naturalização dos arranjos informais (quando não criminosos) no Congresso, quem perde é a população que mais precisa dos recursos do Estado brasileiro.

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