Eleições 2026: Guerra aumenta custos de projetos do governo para campanha de Lula

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Efeitos da guerra chegam ao bolso dos brasileiros em plena temporada eleitoral. E o aumento de preços do petróleo, dos combustíveis e dos alimentos deve atravessar todo o período de campanha. Está ruim e pode piorar. Só depende de quanto a guerra vai durar.
O governo se deu conta de que está cercado, sitiado, porque não tem nenhum controle sobre o tempo da guerra; sobre os preços do petróleo; e, principalmente, sobre o humor dos eleitores.
Essa insuficiência de poder está deixando Lula desnorteado. Desde o início da guerra, em março, diz que mandou a polícia caçar algum empresário para colocar na cadeia. Passou a chamar empresários de “bandidos”, culpando-os de maneira genérica por especulação com derivados do petróleo, sobretudo diesel e gás de cozinha.
Num comício no fim de semana, evitou falar do aumento de 55% imposto pela Petrobras no preço do querosene de aviação. Então, classificou como “bandidagem” o resultado de um leilão de gás com lances dados por empresas interessadas até 77% acima do preço estimado.
Na pressa em culpar empresários, não lembrou da parte da história em que a venda do gás havia sido organizada pela Petrobras, principal beneficiária, dentro da sua rotina de negócios. Depois, argumentou que tudo foi feito à revelia da direção da empresa, que tem administradores nomeados e gestão controlada pelo governo.
Nesta-segunda-feira (6/4), numa intervenção executada por dois ministérios (Casa Civil e Minas e Energia), a Petrobras puniu com demissão o coordenador do leilão de gás, um funcionário com mais de três décadas de carreira na Petrobras. O governo deixou a impressão de ter arrastado a empresa para a campanha eleitoral, ainda que de forma indireta.
O problema do governo é a ameaça embutida nos preços do gás leiloado (com alta de até 77%). A perspectiva de escalada de preços poderia representar a implosão de um dos programas assistenciais desenhados sob medida para a campanha de Lula, com público-alvo de milhões no segmento que é o mais pobre e que, também, é majoritário do eleitorado.
“Gás do Povo” foi triplicado. A partir de maio, a distribuição de botijões com combustível subsidiado alcançaria 16 milhões de residências em 2,9 mil municípios. A subvenção governamental agregaria 60 mil distribuidores numa operação de preço tabelado ao menos por três meses (renováveis) com margem de lucro reduzida, mas movimento garantido e muito maior sobre uma fração (10%) do estoque médio de botijões.
A escalada de preços do petróleo, gás e derivados semeou incerteza sobre “Gás do Povo” e outros programas assistenciais da lista de gratuidades previstas para a temporada eleitoral. Exemplo: parte das distribuidoras privadas de gás de cozinha e de óleo diesel reluta na adesão imediata às propostas de subsídios estatais em troca de tabelamento ou congelamento temporário de preços.
Lula mandou um trio de ministros anunciar, nesta segunda-feira, o envio ao Congresso de um projeto de lei para aumento de penalidades a crimes contra a economia popular. Pretende propor penas de dois a cinco anos de detenção para condutas de “aumento abusivo de preços” e de “restrição artificial de oferta”. A opção punitivista pode ter alguma eficiência na propaganda eleitoral, mas deixa evidente que o governo está sem rumo, sem mapa e sem bússola nessa crise, derivada do abrupto aumento de custos dos projetos desenhados no governo para campanha de Lula
