É grave a crise: para onde milionários emigrarão com Dubai sob bombas?

Ler Resumo
Se você tivesse dinheiro de sobra e provavelmente uma empresa, para onde se mudaria em busca de melhores condições fiscais? A emigração de luxo, oposta em tudo aos pobres e aflitos que se jogam nas mãos de traficantes humanos para chegar a países ricos, há anos vinha tendo uma resposta: Dubai. Pode ter coisa melhor do que não pagar imposto de renda na pessoa física e desfrutar de facilidades de todo tipo para abrir negócios?
Esse mundo foi brutalmente interrompido com a guerra no Irã. No minúsculo e milionário enclave, a comunidade estrangeira de repente viu as mesas de brunch tremer sob o impacto de mísseis e drones. Isso colocou não apenas em dúvida a vida de quem estava lá como daqueles que planejavam se mudar para o integrante dos Emirados Árabes Unidos.
Criou-se assim a dúvida cruel para os candidatos com muito dinheiro a mudar de país. Mesmo antes da guerra, a Itália já era uma boa candidata, com a oferta de vantagens fiscais mesclada ao maior patrimônio histórico e artístico do mundo, a comida divina, as paisagens deslumbrantes e os benefícios criados durante o governo do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi.
Segundo uma lista feita pela empresa especializada em migração de luxo, a Henley and Partners, a Itália apareceu um terceiro lugar como destino de milionários em 2025. Os dez países no topo da lista são: Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Itália, Suíça, Arábia Saudita, Singapura, Portugal, Grécia, Canadá e Austrália.
Na posição oposta, a de países que perdem milionários (e, portanto, investidores), a lista dos dez menos cotados é a seguinte: Israel, Alemanha, Espanha, França, Brasil, Rússia, Coreia do Sul, Índia, China e Reino Unido.
ATESTADO DE SANIDADE
Segundo uma reportagem da BBC, a maior vantagem para os milionários que se mudam para a Itália é que existe um limite de taxação de 300 mil euros por ano, independentemente do tamanho da fortuna. Para os humanos normais, 300 mil euros é de tirar o fôlego, mas em vizinhos como a França, a facada é bem maior, podendo chegar à alíquota de 45%. A Itália também isenta de custos cartoriais a compra do primeiro imóvel.
Ter uma bela propriedade em Milão, um dos destinos favoritos dos milionários estrangeiros, pode ser uma bela alternativa.
Considere-se também a compatibilidade cultural: os emigrantes de luxo estarão morando num dos centros da civilização ocidental, não, como em Dubai, em bolhas criadas para estrangeiros fora das quais imperam princípios severos da religião muçulmanas. “Fare un aperitivo”, como em Milão, entre pessoas trajadas com elegância tradicional ou jovens moderninhos andando pelas ruas de Aperol na mão, definitivamente não é uma experiência possível em Dubai.
Atrair milionários é um atestado de sanidade econômica para qualquer país. Repeli-los é uma tolice, reconhecida até em países com histórico de altíssima taxação, como a Suécia. Em que momento os impostos deixam de ser uma forma de financiar formas justas de benefícios e viram um instrumentos de auto-sabotagem?
PAGAR SORRINDO
A discussão, evidentemente, está sempre em aberto. Mas quem diria que a Itália, com estruturas muitas vezes arcaicas e burocracia medieval, viraria um polo de atração para milionários cheios de dinamismo?
Muitos dos que se mudaram para Dubai e outros emirados estão numa situação de expectativa, esperando para ver para que lado a coisa vai. Quem já se instalou com a família, comprou casa, abriu empresa e se adaptou ao estilo de vida dificilmente quer largar tudo e começar outra vez.
Mas ver drones cruzando o céu não é uma experiência agradável e os milionários dispostos a buscar melhores condições hoje estão reavaliando tudo.
Nos Estados Unidos, a migração mais chamativa é a interna, muitas vezes da Califórnia para a Flórida ou o Texas, devido aos impostos escorchantes. Esta semana, Jensen Huang, o gênio da Nvidia, fez um apelo para que os milionários, ou bilionários do lado dele, fiquem. “É o maior imposto da face da tTerra, mas fiquem”, argumentou. O clima é ótimo”.
Entre os nomões, já se mudaram para a Flórida, que tem imposto zero, Mark Zukerberg, Larry Page e Sergei Brin, além de Peter Thiel. Jeff Bezos comprou nada menos do que três casas, daquelas de mais de 200 milhões.
Com o novo imposto de 5% sobre riqueza Califórnia, a conta de Jesen Huang, que vale espantosos 155 bilhões de dólares, deve subir para oito bilhões. Ele vai pagar sorrindo, mas tem um bocado de gente com outras ideias.
