Disputa pelo Planalto: “Irei até o fim”, garante o governador de Minas Gerais

Disputa pelo Planalto: “Irei até o fim”, garante o governador de Minas Gerais

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), é pré-candidato à Presidência da República. Afirma e reafirma que levará a postulação “até o fim” — seja o que os eleitores quiserem e as urnas decretarem. No entanto, a cerca de seis meses do início oficial da campanha eleitoral, seu nome vem sendo mais lembrado pelos predicados que entregaria a outras chapas presidenciais como candidato a vice, principalmente por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Honrado”, Zema disse  a VEJA que quem vai ganhar com sua participação na corrida ao Palácio do Planalto “é o Brasil”, já que ele e seu partido apresentarão ao país propostas que diferem “muito, em alguns pontos”, dos demais partidos. “Discuti isso com o (Jair) Bolsonaro há cerca de seis meses e ele também é favorável. Mais nomes pela direita significa que vai reverberar em mais votos para a direita. No segundo turno nós vamos transferi-los para aquele candidato que passar. A direita está muito afinada, diferentemente do que alguns falam”, declara o governador. Veja  os principais pontos da entrevista:

Seu nome tem sido muito lembrado como candidato a vice. O senhor descarta se juntar a outra chapa, como a de Flávio Bolsonaro? Ou aceita conversar? Primeiro, quero dizer que fico muito satisfeito, honrado de ser lembrado. Ser presidente e ser vice não é algo tão distante assim. Mas irei até o fim e quem vai ganhar com isso é o Brasil. Primeiro, que o meu histórico, tanto no setor privado quanto no público, foi de montar times. Nos trinta anos que fiquei no setor privado, montei um time que fez uma empresa crescer mais de 100 vezes, que gera emprego direto hoje para mais de 5.000 pessoas. Depois, fiz o mesmo à frente do governo de Minas Gerais. Montei o secretariado mais enxuto do Brasil. Criamos um milhão de empregos. Temos um governo bem avaliado, apesar das dificuldades financeiras. Então, a minha especialidade é montar times, muito mais do que ser parte da equipe ali que faz a operação. Me sinto muito tranquilo com essa missão e vou levar também por um outro lado. Nós temos propostas, eu e o Partido Novo, que são propostas que diferem muito, em alguns pontos, dos demais partidos. Nós, Partido Novo, consideramos que o gasto com fundo eleitoral, com fundo partidário, é um valor absurdo. Consideramos que essas indicações que, via de regra, dominam a política no Brasil, são a fonte de muitos problemas. E nós precisamos ter um sistema mais meritocrático, inclusive até para o Supremo Tribunal Federal, onde está virando lugar de ex-advogado de presidente ser colocado, pelo que a gente tem visto.

O senhor mencionou problemas recentes envolvendo o STF. Que mudanças o senhor defende para o funcionamento do tribunal? Primeiro, precisamos aumentar a participação de mulheres no Supremo. Quando se fala em escândalo, na hora que você vai ver, 98% dos envolvidos são homens. Parece que as mulheres têm uma tendência a proceder melhor, elas enriquecem o debate, elas são mais zelosas, mais criteriosas, têm uma visão de longo prazo mais apurada do que os homens, que eu considero muito mais imediatistas. Também trocaria as regras para nomear ministros também. Nós temos tanta gente boa nos tribunais de Justiça, mesmo no Superior Tribunal de Justiça, no Ministério Público, na Defensoria Pública. Temos de valorizar a prata da casa e não levar ex-advogado de criminoso que já foi condenado. Esse critério, para mim, é fundamental, com participação da OAB, com participação das associações dos magistrados nessas indicações. O Supremo parece que está mais hoje caminhando para se transformar numa quadrilha do que numa corte suprema do Brasil, infelizmente. E sou favorável também a ter mandatos, que seja de oito anos, de dez anos, para ninguém se perpetuar. Gosto muito de oxigenação. 

Como o senhor pretende tornar seu nome conhecido em todo o Brasil? 

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Comecei a eleição de 2018 com 1% de intenção de votos e fui me tornando conhecido à medida que eu fui andando por Minas Gerais, fui passando de associação comercial em associação comercial. Tive de percorrer todo o Estado, levar a minha proposta a mais de 200 cidades, e fiz isso praticamente de carro, percorrendo 70.000 quilômetros. E agora eu vejo que o grande desafio é levar isso para o Brasil, e o Brasil não dá para fazer de carro. 200 cidades em Minas foi suficiente para me tornar conhecido. 200 cidades no Brasil, eu não sei se é viável ir e se é suficiente também. Então, nós estamos com a estratégia de participar mais de eventos, de estarmos mais expostos também nos meios de comunicação e, principalmente, mostrando aquilo que foi feito aqui em Minas Gerais. 

Quais são as suas principais ideias para a campanha à presidência da República? Não fiz nenhuma obra faraônica. Acabei com um cemitério de obras inacabadas que eu herdei do PT e fiz muitas outras, dentro da técnica daquilo que é melhor para o mineiro. Minas Gerais era um time que estava na quarta divisão, na série D, e hoje está entre os primeiros da série A no Brasil, e os números atestam isso. Minas Gerais tem crescido mais do que o Brasil, tem ampliado a sua participação no PIB do Brasil, o que mostra que nós temos aqui uma economia mais dinâmica. O meu contato com o setor produtivo, estou falando aí da FIEMG, federação das indústrias, da FAEMG, federação da agricultura, da Fecomércio, é muito próximo. Nada aqui em Minas é feito sem consultar, sem estar próximo de quem produz. E é o que o Brasil não faz. Você vê aí um desrespeito enorme com quem trabalha e, muitas vezes, uma leniência muito grande com a criminalidade. Então, eu considero isso uma total inversão de valores. Estou acostumado a trabalhar das sete da manhã até às dez da noite, e vou ter de, talvez, até intensificar esse ritmo aí, porque o Brasil é muito grande e nós vamos ter de mostrar para muita gente aquilo que foi feito.

Como andam as conversas com outros pré-candidatos, como os governadores Eduardo Leite, Ratinho Junior e Ronaldo Caiado, do PSD, e Flávio Bolsonaro, do PL? Nesses sete anos e um mês que nós temos como governadores, Ratinho, Eduardo Leite e eu devemos ter encontrado pelo menos 25, 30 vezes. Posso até dizer que eu os encontrei mais do que meus filhos nesse período. E um contato próximo com o Caiado, já que ele está ali ao lado de Brasília. Me dou muito bem, também, com o Kassab, que é um grande articulador. As conversas são as melhores possíveis e isso demonstra que nós estamos unidos, nós só não estamos na mesma chapa. O meu relacionamento com o Flávio é muito bom e o cenário que está desenhando é que eu serei candidato, o Flávio será e o PSD vai escolher um dos três. Discuti isso com o (Jair) Bolsonaro há cerca de seis meses e ele também é favorável. Mais nomes pela direita significa que vai reverberar em mais votos para a direita. Um bom governador bem avaliado no Paraná, sendo candidato, vai ter mais votos do que outro. Um outro em Minas Gerais, a mesma coisa. Então, esses votos vêm para a direita e no segundo turno nós vamos transferi-los para aquele candidato que passar. A direita está muito afinada, diferentemente do que alguns falam.

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O que o senhor pode adiantar de suas propostas para a economia? Empresa estatal é empresa ineficiente, é empresa que é utilizada como margem de manobra para politicagem, para malandragem, eu vi isso aqui em Minas Gerais. Veja o exemplo da Cemig. Até 2018, Minas gerava 500 megawatts de energia solar. Nós estamos nos aproximando agora de 14 gigawatts. Isso é quase que uma Itaipu, e isso atraiu para Minas Gerais mais de 80 bilhões de reais de investimentos privados. Antes só conseguia implementar aqui uma usina de energia solar quem era amigo do rei. Se você tivesse algum contato político, você ia conseguir uma autorização e, em vez de fazer o investimento, você ia sair negociando no mercado essa autorização. Nós abrimos.

Como têm sido os últimos dias como governador de Minas e o que o senhor pretende fazer até o afastamento do cargo? Agora (quinta-feira, 12) eu estou aqui em Montes Claros, no norte de Minas. Ontem (quarta-feira, 11) eu estive em Valadares, em Ipatinga. Antes de ontem (terça-feira, 10) eu estive em Divinópolis e Oliveira. Continuo acompanhando aqui em Minas Gerais, como sempre fiz. Eventualmente, temos convites para participar de eventos fora de Minas. Quando eu vou em São Paulo, geralmente é para seis, sete, oito agendas, que a gente consolida em um dia, um dia e meio, para poder tirar o melhor proveito da viagem. Continuo com a agenda bem ocupada e agora eu tenho essa grande missão de mostrar para o Brasil aquilo que foi feito aqui em Minas Gerais. Lembrando que Minas é uma amostra quase que perfeita do Brasil, porque nós temos aqui regiões que se assemelham com São Paulo, com Rio de Janeiro, com Centro-Oeste, com Nordeste.

Que balanço o senhor faz da sua gestão, a 45 dias de deixar o governo de Minas?É um estado muito desafiador, porque tem 853 municípios e culturas distintas, geografia distinta, climas distintos e um sério problema financeiro que eu herdei, que ainda perdura, apesar de as contas estarem em dia. Você ser um governador bem avaliado num Estado que tem recursos disponíveis é bem mais fácil do que num Estado que carece de recursos. Ainda tenho aqui em Minas Gerais cerca de 8% das estradas que estão classificadas como ruins, mas quando eu assumi eram mais de 30%. O que nós fizemos aqui é diferente daquilo que a maioria da política no Brasil fez até hoje. Estou aqui como se fosse um servidor público tentando fazer o melhor com um time competente e sem caixa preta. E o que a gente vê lá em Brasília é um sigilo de 100 anos, talvez os nossos bisnetos vão poder ter acesso a esses dados no futuro.

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Seu vice-governador, Matheus Simões, do PSD, é candidato à sucessão. O que vai ser determinante na eleição em Minas Gerais? Depois de sete anos e um mês, nós não tivemos escândalo em Minas Gerais, nós não tivemos corrupção, nós estamos tendo muitas entregas. Em dezembro, eu entreguei um grande hospital em 430 leitos em Teófilo Otoni, antes de ontem eu entreguei um grande hospital em Divinópolis e nós ainda temos três grandes hospitais para serem entregues até o fim do ano. Tudo obra abandonada pelo PT. Estamos fazendo um trabalho de reconstrução. Concluímos todas as 95 UBS que o PT abandonou também, que viraram matagal, ponto de traficante e o povo vai encontrar tudo concluído, entregue, e outras 250. E quem tem sido o meu braço direito é o Matheus Simões, o vice-governador. Então, vou dar todo o apoio a ele e tenho deixado aqui muito claro para todos os prefeitos, para todos os mineiros, que ele é a pessoa mais indicada para dar continuidade a esse trabalho, pelo conhecimento dele, pela capacidade dele, pela ética, pelo comprometimento. Deixamos para trás um círculo vicioso e entramos num círculo virtuoso. E qualquer pessoa que chegue aqui, que não tenha toda essa capacidade pode colocar esse trabalho a perder, a ser afetado, até ter uma reversão total. 

O senhor já está montando equipe de campanha? Como bom gestor, está tudo muito bem delegado. Eu sou o produto, no caso, e produto não costuma opinar muito sobre como ele vai ser exposto e vendido, não. Então, confio muito no marqueteiro que o partido Novo contratou, o Renato Pereira. O Eduardo Ribeiro, que é o presidente do partido, está já definindo qual equipe vai coordenar a campanha e fazer a comunicação. Teremos essas definições nos próximos dias, porque daqui a 45 dias, no máximo, eu já estou desligado do governo. E toda essa estrutura já está sendo discutida no partido Novo, para que, quando eu me desligar, já esteja em pleno funcionamento. Estou muito confiante e o principal é que nós temos boas propostas. Um produto bom é bem mais fácil de vender do que um produto ruim.

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