Dirigentes goianos participam de debate da CBF sobre fair play financeiro
O futebol goiano marcou presença em um dos debates mais relevantes para o futuro do esporte no país. Dirigentes da Federacao Goiana de Futebol e dos três clubes do Estado que disputam a Série B participaram, nesta terça-feira (24/2), de encontro promovido pela Confederacao Brasileira de Futebol (CBF) com o presidente da LaLiga, Javier Tebas. Em pauta, reconstrução institucional, governança e a implantação do fair play financeiro no Brasil.
A reunião reuniu representantes de clubes das Séries A e B e presidentes de federações estaduais, consolidando mais uma etapa do processo de modernização conduzido pela CBF. O fair play financeiro foi tratado como eixo central da transformação, dentro de um modelo que busca equilíbrio fiscal e maior credibilidade ao mercado do futebol brasileiro.
Representando Goiás, estiveram presentes o presidente da FGF, Ronei de Freitas, além dos dirigentes dos três clubes goianos na Série B: Adson Batista, presidente do Atletico Goianiense; Vinícius Cirqueira, diretor do Vila Nova; e Leonardo Pacheco, CEO do Goiás. A participação conjunta reforça o alinhamento institucional do futebol goiano às discussões estratégicas nacionais.
Durante a apresentação, Tebas relembrou o cenário crítico que encontrou ao assumir a presidência da LaLiga há 12 anos: dívida próxima de 1 bilhão de dólares, atrasos salariais recorrentes e 32 clubes em recuperação judicial. A reestruturação teve como ponto de partida a implementação do fair play financeiro, que passou a limitar gastos de acordo com a arrecadação de cada clube, estabelecendo um ambiente mais sustentável e confiável.
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Ao avaliar o momento brasileiro, o dirigente espanhol demonstrou confiança. Para ele, o país reúne mercado consumidor expressivo, marcas fortes e torcidas apaixonadas, fatores que podem colocar o Brasil entre as duas ou três principais ligas do mundo, desde que haja controle responsável das finanças.
“O Brasil tem vantagens, como ser um país com mais de 200 milhões de habitantes, paixão pelo futebol e marcas de clubes muito importantes, que são peças-chave neste processo, além de uma direção na CBF que nunca vi em outro lugar: profissional, com objetivos definidos de onde quer estar. O futebol brasileiro pode estar entre as duas ou três melhores ligas, no mínimo. E com o fair play financeiro, o caminho é melhor”.
“A história nos mostra que a tendência é de quanto mais se arrecada, mais se gasta, e que se não for controlada a chegada de capital financeiro, haverá inflação. O princípio básico do fair play é que se gaste de forma compatível com o que se arrecada, e com isso em um patamar sustentável, é mais fácil direcionar os recursos para que o produto melhore”, completou Tebas.
O presidente da CBF, Samir Xaud, reforçou que o fair play financeiro integra um pacote mais amplo de reformas estruturais, que inclui mudanças no calendário, profissionalização da arbitragem e investimentos nas competições, dentro de um projeto de longo prazo para elevar o patamar do futebol nacional.
“A LaLiga vem trabalhando há doze anos para melhorar seu produto, por isso Tebas vê com otimismo as perspectivas do nosso futebol, devido às mudanças que estamos promovendo. Temos como vantagem o fato de sermos um país com quase quatro vezes mais habitantes que a Espanha, e estamos buscando as boas experiências que o futebol europeu adquiriu, adaptando para a nossa realidade”, disse Xaud.
