Deepak Chopra manteve relação próxima com Epstein e o convidou a levar “suas garotas” em viagens
O escritor e guru do bem-estar Deepak Chopra afirmou recentemente que seu contato com Jeffrey Epstein foi “limitado” e que nunca esteve envolvido em qualquer conduta criminosa ou exploratória ligada ao financista.
Documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, porém, indicam que a relação entre os dois foi mais próxima e frequente do que o autor vinha sugerindo.
Mensagens obtidas a partir do acervo conhecido como “Epstein Library” mostram que Chopra e Epstein mantiveram contato regular entre 2016 e 2019, ano em que Epstein foi preso sob acusações federais de tráfico sexual de menores.
O financista já havia se declarado culpado, em 2008, por solicitar prostituição de uma menor de idade na Flórida.
Procurado, Chopra respondeu apenas: “Nenhuma má conduta.” Em publicação na rede social X, ele afirmou estar “profundamente entristecido com o sofrimento das vítimas” e reconheceu que trocas de e-mails do passado “refletem julgamento ruim no tom”, acrescentando que lamenta como elas soam à luz do que se tornou público.
Contato frequente e encontros presenciais
As mensagens indicam que os dois trocaram centenas de e-mails e mensagens de texto e organizaram encontros presenciais em Nova York, na Flórida e em Paris, onde Epstein mantinha residências. Ao longo dos anos, conversaram sobre espiritualidade, ciência, política e conhecidos em comum.
Chopra, médico formado na Índia que vive nos EUA há mais de cinco décadas, construiu carreira como autor de best-sellers sobre espiritualidade, saúde e física quântica, além de se tornar um dos nomes mais conhecidos da meditação transcendental no Ocidente, com projeção impulsionada nos anos 1990 por Oprah Winfrey.
Em várias mensagens, o escritor demonstrou proximidade, encerrando e-mails com expressões afetuosas e agradecendo pela amizade.
Em 2017, ao convidar Epstein para uma viagem a Israel e para um workshop na Suíça, sugeriu que ele levasse “suas garotas”. Não está claro a quem se referiam nem se o convite foi aceito.
Em outras trocas, os dois fizeram comentários de teor sexualizado sobre mulheres adultas, além de referências a “garotas” cujo contexto e idade não são especificados nos documentos. A simples menção de um nome nos arquivos não implica envolvimento em crime, segundo as autoridades.
Apoio em meio à crise
No início de 2019, meses antes da nova prisão de Epstein, Chopra manifestou apoio ao amigo diante da repercussão negativa na imprensa. Em mensagens, aconselhou que ele permanecesse em silêncio e meditasse.
Ao comentar a “toxicidade” da cobertura jornalística, disse não estar preocupado com a má publicidade.
Epstein foi encontrado morto em uma cela em Nova York, em agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento. A morte foi considerada suicídio pelas autoridades americanas.
Relações, negócios e doações
Os arquivos também mostram que Epstein discutiu possíveis projetos de negócios com Chopra e ofereceu apoio financeiro a iniciativas ligadas ao escritor. Em 2017, a Fundação Chopra recebeu US$ 50 mil de uma entidade associada a Epstein, segundo os documentos, para pesquisas científicas.
Epstein também se dispôs a apresentar o aplicativo de bem-estar Jiyo, cofundado por Chopra, a executivos do setor de seguros. Não há indicação de que tais iniciativas tenham avançado.
As mensagens revelam ainda menções a figuras públicas e políticas. Após a eleição presidencial de 2016, Chopra afirmou estar “arrasado” com a vitória de Donald Trump. Em outro momento, comentou que Ivanka Trump havia participado de uma sessão de meditação sua naquele ano.
Rede de influência
As revelações reforçam como Epstein, mesmo após sua condenação em 2008, manteve conexões com empresários, acadêmicos, artistas e líderes políticos. Desde a divulgação dos arquivos, diversas figuras públicas têm buscado minimizar a proximidade que tiveram com ele.
No caso de Chopra, o conteúdo das mensagens sugere uma relação constante e cordial ao longo de pelo menos três anos. Ele sustenta que jamais participou de qualquer atividade ilegal.
A investigação sobre o alcance das conexões de Epstein continua a gerar repercussões no meio político, empresarial e cultural dos Estados Unidos.
