Como o britânico Harry Styles usa a moda para cada vez mais parecer um nova-iorquino?
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Tem gente que muda de cidade. Outros deixam o lugar mudar quem são. Harry Styles parece estar no segundo grupo. Nos últimos meses, o cantor tem sido visto menos como o pop star britânico de estética calculada e mais como aquele tipo específico de homem que só existe em Nova York: o que anda a pé, atravessa pontes, toma café gelado mesmo no frio e parece sempre a caminho de algum lugar, mesmo que não esteja.
Instalado entre o Brooklyn e Manhattan, Styles adotou o ritmo da cidade como quem veste uma nova pele. E, no caso dele, veste mesmo. O figurino mudou. Sai de cena o aceno britpop com pitadas de Berlim; entra um guarda-roupa que conversa diretamente com o asfalto nova-iorquino. Moletons vintage, jeans lavados, tênis gastos, peças que não chamam tanta atenção, mas contam história.
Em uma de suas caminhadas, deixou claro que a transformação não é sutil. Usava um moletom branco da Nike, datado de 1994 — o ano em que nasceu —, quase como uma ironia bem colocada entre passado e presente. Nos pés, o já inseparável Adidas Samba. Um uniforme que poderia passar despercebido, não fosse o contexto: Harry não está apenas em Nova York, ele está performando Nova York.
Mas são os detalhes que entregam tudo. O gorro preto, levemente torto, os óculos estilo aviador de lentes amareladas, os fones com fio (um gesto quase anacrônico, quase cool demais para ser acidental) e, na mão, um copo pequeno de café gelado. No dedo mínimo, um anel, que talvez já sugira essa proximidade dos Estados Unidos à namorada Zoë Kravitz, figura que encarna como poucas esse espírito downtown — despretensioso, artístico, ligeiramente blasé —, e que parece ter afinado ainda mais essa sintonia com a cidade. Não é sobre se tornar outra pessoa, mas absorver um ambiente até que ele passe a fazer sentido no corpo.
Harry sempre entendeu moda como linguagem. Agora, parece flertar com algo ainda mais interessante: o estilo como geografia emocional. Já dizem por aí que Nova York não é um lugar, é um estado de espírito. E Harry Styles, ao que parece, já atravessou essa ponte.

