Como Brasil pode aumentar seu poder de barganha em meio ao tarifaço dos EUA

As tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros impõem um novo desafio à política comercial do Brasil, mas ainda há espaço para negociação. Essa é a avaliação de Frederico Lamego, assessor da presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que defendeu, em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, uma estratégia baseada na ampliação do diálogo com Washington e na diversificação dos mercados para fortalecer o poder de barganha brasileiro. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Como o Brasil pode ganhar força nas negociações?
Para Lamego, o primeiro passo é manter abertos os canais de negociação com o governo americano, mesmo após o anúncio das novas tarifas. A CNI defende intensificar a articulação para ampliar a lista de produtos contemplados por exceções e preservar setores estratégicos da indústria nacional.
Segundo ele, esse trabalho deve envolver não apenas o governo brasileiro, mas também entidades industriais, compradores e distribuidores dos Estados Unidos, que também serão afetados pelas restrições comerciais. “Nós precisamos ser pragmáticos e tentar encaminhar a solução da melhor forma possível.”
Empresas americanas podem ajudar a reverter as tarifas?
Na avaliação do representante da CNI, sim. Lamego afirmou que setores da economia americana já manifestaram preocupação com os efeitos das tarifas sobre suas cadeias de suprimentos.
Ele citou o setor calçadista dos Estados Unidos como exemplo. Segundo o assessor, empresas americanas alertaram que a taxação pode comprometer a relação com fornecedores brasileiros justamente em um momento em que buscavam reduzir a dependência da produção chinesa.
Para a CNI, essa convergência de interesses pode aumentar a pressão interna sobre o governo americano para rever parte das medidas.
Buscar novos mercados aumenta o poder de barganha?
Além da negociação bilateral, Lamego defendeu que o Brasil acelere sua agenda de acordos comerciais. Ele mencionou as negociações do Mercosul com Canadá, Reino Unido e Japão como iniciativas que podem reduzir a dependência de um único mercado e ampliar a capacidade de negociação do país.
Na avaliação do assessor, quanto maior a inserção internacional do Brasil, maior será seu peso em futuras negociações comerciais.
“O Brasil precisa participar dessa mesa de negociação internacional para aumentar o seu poder de barganha. Se nós não participarmos dessa discussão, vamos fazer parte do cardápio e não sentar na mesa.”
O diálogo ainda é o melhor caminho?
Questionado sobre a resposta brasileira ao tarifaço, Lamego afirmou que a CNI acompanha as tratativas desde o início das investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos e acredita que o diálogo deve ser aprofundado.
Ele lembrou que alguns setores já conseguiram reduzir ou evitar parte das tarifas ao longo das negociações e defendeu que essa estratégia continue sendo priorizada.
Qual é a mensagem da indústria ao governo?
Embora reconheça a gravidade do cenário, Lamego afirmou que o Brasil não deve considerar encerradas as possibilidades de negociação. Para ele, preservar o relacionamento histórico entre os dois países e ampliar a interlocução com autoridades, empresas e formadores de opinião nos Estados Unidos é o caminho para fortalecer a posição brasileira diante do tarifaço.
“Não vamos nos derrotar simplesmente por um anúncio de novas tarifas, porque o mercado americano é muito importante para as empresas brasileiras.”
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
