Como as mudanças no chocolate podem os futuros ovos de Páscoa

Como as mudanças no chocolate podem os futuros ovos de Páscoa

O uso da palavra “sabor” em uma expressão para descrever alimentos e itens que destoam do real é recorrente entre jovens nas redes sociais e, atualmente, pode ser aplicado a barras, bombons e ovos de Páscoa que acabam tendo “sabor chocolate” diante da pequena quantidade do produto proveniente do cacau. O cenário pode mudar se avançar no Senado um projeto de lei aprovado no último mês na Câmara dos Deputados que prevê a regulamentação da quantidade mínima de cacau nos chocolates em suas diversas versões.

Como há diferentes opções de produtos no mercado, o projeto de lei aprovado definiu a quantidade prevista de cacau em cada tipo de chocolate, do ao leite ao amargo, passando pelo cacau em pó. O texto, que passou por alterações, será debatido no Senado. Caso passe, será encaminhado para sanção ou veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A discussão sobre o produto ocorre em meio a mudanças feitas pela indústria nos últimos anos que tornaram a formulação de barras de chocolate, bombons e ovos de Páscoa mais “palatável” com a adição de açúcares e gorduras — como é comum em ultraprocessados — com a diminuição do teor de cacau. O resultado é perceptível no paladar com versões extremamente doces e que, do chocolate, têm apenas a cor.

“Não são raros os casos de produtos com baixíssimo teor de cacau que se apresentam como ‘chocolates de verdade’, ou que, de modo ainda mais grave, tentam confundir o consumidor rotulando-se como sabor chocolate”, disse o relator do projeto, deputado Daniel Almeida, à Agência Câmara de Notícias.

Embora o mercado conte com marcas que favorecem a produção local e a preservação do sabor natural com insumos de qualidade, a quantidade de cacau não segue padrões principalmente entre as marcas mais baratas e populares.

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Um exemplo disso é um estudo do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP). Na análise de 211 amostras de 116 marcas de chocolate em barra vendidas no país, as opções de “chocolate meio amargo” continham a mesma quantidade de açúcar e cacau dos chocolates ao leite e branco, quando deveriam ter proporções diferentes.

Veja a proposta para cada tipo de chocolate

O texto enviado para o Senado já determina o percentual de cacau e seus compostos. Ele prevê que os índices devem estar visíveis, ocupando espaço correspondente a mais de 15% da embalagem frontal em caracteres legíveis. Se aprovado em sua totalidade, os padrões devem ser:

Chocolate
Não tem mais “amargo ou meio amargo”. O trecho exige um mínimo de 35% de sólidos totais (massa mais manteiga de cacau). O produto deve ter um mínimo de 18 pontos percentuais de manteiga de cacau e 14 pontos percentuais isentos de gordura. Há um limite de 5% para outras gorduras vegetais autorizadas

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Ao leite
Serão 25% no mínimo de sólidos totais de cacau e um mínimo de 14% de sólidos totais de leite ou seus derivados

Cacau em pó
É o produto obtido pela pulverização da massa de cacau com um mínimo de 10% de manteiga de cacau em relação à matéria seca e um máximo 9% de umidade

Chocolate doce
Nova categoria criada pelo projeto para denominar um produto composto por sólidos de cacau e outros ingredientes com um mínimo de 25% de sólidos totais de cacau, dos quais pelo menos 18 pontos percentuais de manteiga de cacau e pelo menos 12 pontos percentuais devem ser isentos de gordura

Após sanção, as regras entrar em vigor em 360 dias, de modo que não a próxima, mas futuras Páscoas terão ovos com o verdadeiro sabor do chocolate.

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