Como a Louis Vuitton transformou a bola de futebol em objeto milionário e de desejo global?
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No meio da passarela masculina de outono-inverno 2026 da Louis Vuitton, surgiu uma esfera translúcida, cravejada de brilhos e engenharia, que pairava entre o esporte, a joalheria e a arte. Não era exatamente um relógio. Tampouco uma bola. Estava mais para uma fantasia mecânica sobre o tempo. Trata-se, na verdade, de uma recriação da bola de futebol estampada com monograma criada para a Copa do Mundo de 1998, na França e que celebra dez anos da parceria com a UNICEF — só que, agora, ao invés de estar o gramado, ocupa o altar da alta joalheria da maison francesa.
Batizada de “Objeto do Tempo”, a criação rompe qualquer ideia clássica do que se espera de um relógio. O formato esférico remete imediatamente à estrutura tradicional de uma bola, com seus recortes geométricos em hexágonos e pentágonos. Mas o couro desaparece. Em seu lugar, superfícies transparentes revelam um universo interno hipnótico, como se o mecanismo estivesse nu diante dos olhos.
A peça foi desenvolvida em colaboração com a manufatura suíça L’Epée 1839, conhecida por transformar relógios em esculturas cinéticas. O movimento é manual, totalmente esqueletizado, e dispensa ponteiros convencionais. As horas deslizam em cilindros dourados rotativos, numa coreografia silenciosa que parece mais uma instalação de museu do que um acessório de luxo.
No interior, diamantes lapidados capturam a luz em pequenas explosões cintilantes. O efeito é futurista e cinematográfico. E como toda joia da Louis Vuitton, a experiência não termina no objeto. O relógio ganha um baú exclusivo inspirado nos lendários trunks da maison — aqueles mesmos que transportam troféus, vestidos de alta-costura e histórias de viagem há mais de um século. Couro monogramado, ferragens douradas e acabamento impecável transformam a embalagem em parte essencial do espetáculo.
A coleção Silver Lockit, criada para apoiar iniciativas da UNICEF, também foi ampliada com novos pingentes e pulseiras inspirados no universo do futebol. Pequenos detalhes que funcionam como extensão comercial — e emocional — dessa narrativa da Copa do Mundo 2026, em que, na maison francesa mistura luxo, esporte e filantropia no mesmo campo.

