Como a CIA ‘guiou’ ataques de Israel que mataram Ali Khamenei no Irã

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Informações da CIA indicando que o aiatolá Ali Khamenei participaria de uma reunião com altos funcionários iranianos ajudaram a direcionar os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel que mataram o líder supremo do Irã, informou o jornal americano The New York Times neste domingo, 1º de março.
Teerã confirmou que Khamenei foi morto nos ataques à capital, Teerã, após Washington e Tel Aviv lançarem uma ofensiva aérea contra o país. De acordo com a reportagem do NYT, a principal agência de inteligência externa dos Estados Unidos vinha monitorando o líder supremo há meses. O jornal, que citou fontes familiarizadas com a operação, afirmou que a CIA soube que uma reunião de altos funcionários iranianos estava marcada para a manhã de sábado em um complexo da liderança no coração de Teerã.
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Os americanos e israelenses haviam planejado inicialmente lançar ataques contra o Irã à noite, mas as autoridades ajustaram o plano com base nas informações da CIA, segundo o NYT. A publicação acrescentou que os Estados Unidos repassaram as informações para Israel, que planejou realizar o ataque contra a liderança iraniana.
A operação começou por volta das 6h em Israel (1h00 no horário de Brasília), e mísseis de longo alcance atingiram o complexo por volta das 9h40 (4h40 de Brasília), disse o NYT. Altos funcionários da segurança nacional iraniana estavam em um prédio do complexo, realizando uma reunião do Conselho de Defesa, e Khamenei estava em um outro edifício próximo.
Cadeia de comando abalada
Além de Khamenei, outras quatro autoridades importantes perderam a vida em meio aos ataques israelo-americanos: o comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi, o chefe da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Mohammad Pakpour, o assessor próximo do líder supremo e que estava à frente do Conselho Nacional de Defesa, Ali Shamkhani, e o ministro da Defesa e Logística das Forças Armadas, Aziz Nasirzadeh.
Pakpour, que assumiu o comando do exército ideológico iraniano em junho do ano passado durante a guerra de 12 dias contra Israel (encerrada por um enorme bombardeio dos Estados Unidos), e Shamkhani, um dos principais responsáveis pela segurança na República Islâmica, morreram como “mártires” no sábado durante os ataques israelenses e americanos a Teerã, afirmou o órgão de imprensa do Poder Judiciário, Mizan.
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O Irã retaliou, com registros de ataques em todo o Golfo, incluindo na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, e perto de bases militares americanas na região. Também houve novos ataques à capital iraniana nesta manhã, à medida que cresce a ameaça de um conflito regional mais amplo.
O presidente Trump já avisou que os bombardeios americanos, amparados pela maior frota militar já enviada pela região desde a invasão ao Iraque, em 2003, continuarão “enquanto for necessário”.
