Chavismo vai às ruas em Caracas e protestos pedem que EUA devolvam Maduro

Chavismo vai às ruas em Caracas e protestos pedem que EUA devolvam Maduro

O grupo é uma minoria, mas chamou a atenção neste sábado, 3. O chamado chavismo de base, ou chavismo militante, decidiu ir ao centro de Caracas para rejeitar a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e exigir seu retorno à Venezuela.

Desde cedo, diversos líderes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), a legenda governista, conclamaram a população a comparecer a atos. O chamado pouco a pouco começou a se concretizar após o meio-dia, quase 12 horas depois da queda do mandatário venezuelano.

A maioria vestia a cor vermelha característica e portava bandeiras da Venezuela e imagens do ditador ou de seu mentor, Hugo Chávez, o populista que governou o país por catorze anos e capitaneou a Revolução Bolivariana, tendo algum êxito no princípio com programas de cunho assistencialista que acabaram não se sustentando no longo prazo. Maduro pegou o bastão após a morte do chefe, em 2013, e desde então permanecia, apesar de tudo, no Palácio de Miraflores não pelo carisma, mas por ter conseguido engolir as instituições uma a uma, do Legislativo ao Judiciário.

03 January 2026, Venezuela, Caracas: Supporters of Venezuelan leader Maduro gather in the city center to protest after US President Trump announced that the Venezuelan president had been captured and flown out of the country. Photo: Javier Campos/dpa (Photo by Javier Campos/picture alliance via Getty Images)
Apoiadores do líder venezuelano Nicolás Maduro se reúnem no centro de Caracas para protestar após sua captura pelos EUA. 03/01/2025 – (Javier Campos/Getty Images)

“Nós estamos nas ruas pedindo uma prova de vida, que devolvam o nosso Presidente, que foi sequestrado”, afirmava a prefeita de Caracas, Carmen Teresa Meléndez, uma das participantes da concentração próxima ao Miraflores.

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Ao lado dela, vários deputados do parlamento — entre eles o primeiro vice-presidente do Legislativo, Pedro Infante — passaram pela concentração demonstrando seu repúdio ao ocorrido durante a madrugada.

Outros, entoando o slogan “o povo unido jamais será vencido”, também exigiam informações sobre o paradeiro de Maduro, de quem até aquele momento se conhecia apenas uma fotografia a bordo de um navio de guerra americano. Acredita-se que ele e sua esposa, Cilia Flores, tenham chegado nesta noite a Nova York, onde devem ir à justiça por conspiração e narcotráfico.

Trata-se de uma mobilização que se repetiu em outras cidades da Venezuela, conforme imagens divulgadas pelos canais estatais, nas quais as pessoas levantavam a voz com o slogan: “Maduro, aguenta firme, que o povo se levanta”.

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03 January 2026, Venezuela, Caracas: Venezuelans burn a US flag after the announcement of the US attacks and the capture of Venezuelan leader Maduro. Photo: Stringer/dpa (Photo by Stringer/picture alliance via Getty Images)
Venezuelanos queimam bandeira dos EUA em protesto em Caracas após ataques americanos e captura de Nicolás Maduro. 03/01/2026 – (Stringer/Getty Images)

No entanto, as cenas publicizadas pela mídia do regime refletem um pequeno recorte da realidade. De acordo com pesquisa recente AtlasIntel, mais da metade dos venezuelanos (55%) acreditam que vivem em uma ditadura (18% discordam e 27% dizem não saber), porcentagem semelhante à dos que dizem que Maduro roubou as eleições de julho de 2024 e daqueles que pensam que a Venezuela ficaria melhor sem o ditador.

O mesmo levantamento revelou que apenas 15% dos entrevistados nutria visão positiva sobre o líder do país, enquanto 60% disseram ter visão negativa sobre ele.

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Mais impressionante: a maioria (um em cada quatro) dos venezuelanos já dizia na época que a maneira mais viável de derrubar o regime de Maduro e restaurar a democracia na Venezuela era uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos; mais gente ainda (acima de um terço) diziam apoiar tal ação americana.

Na Venezuela, os que querem Maduro de volta são minoria.

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