Castro renuncia ao governo, que ficará nas mãos do presidente do TJ

O governador Cláudio Castro (PL) se despede do governo do Rio nesta segunda-feira, 23, em cerimônia fechada para aliados no Palácio Guanabara. A saída ainda será publicada em Diário Oficial. O anúncio para a imprensa, que foi acompanhado da confirmação de sua pré-candidatura ao Senado, ocorre um dia antes da retomada do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do caso Ceperj: uma possível condenação por abuso de poder político e econômico levaria à cassação do governador. Com a renúncia, ele evita o risco de desgaste junto ao eleitorado e pode recorrer somente à inelegibilidade.
Seu grupo político tem a expectativa de que, mesmo condenado, Castro possa ser candidato por meio de liminar. “Saio de cabeça erguida”, afirmou ele, dizendo que deixa a chefia do Executivo no seu momento de “maior popularidade”. “Fizemos a maior operação do mundo”, destacou o político, que buscou listar feitos na área de segurança. “Saio com a minha maior aprovação”, acrescentou Castro. O anúncio para jornalistas não contou com espaço para perguntas.
Enquanto Castro busca sobrevivência política, a sua despedida dá início a um jogo de xadrez na Alerj, que precisará escolher um sucessor para comandar o estado até o final do ano. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, assume temporariamente o estado e terá que convocar a eleição indireta. Em 30 dias, os deputados deverão eleger um nome para o mandato-tampão, seguindo decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que embaralhou os planos da direita do Rio. Estão suspensas as regras do voto aberto e do prazo de apenas 24h para desincompatibilização dos candidatos, sancionadas por Castro, mas questionadas no STF pelo PSD de Eduardo Paes. Quem for concorrer, deverá estar há seis meses fora de cargos, o que tira da corrida Douglas Ruas, o preferido do PL. Pré-candidato a governador da sigla em outubro, ele até sexta-feira passada ocupava a pasta das Cidades do estado. O governador, na sua fala, não deu pistas sobre quem poderá apoiar na eleição indireta.
O campo da direita quer enfrentar Paes nas urnas tendo a seu favor o poder sobre a máquina do estado. Nos bastidores do Legislativo, as articulações estão a pleno vapor. Em meio às negociações, Ruas passa a ser cotado para a presidência da Alerj, já que Rodrigo Bacellar (União Brasil), afastado do cargo pelo STF, também será julgado pelo TSE dentro do escândalo do Ceperj.
