cadeirante percorre 860 km para ver corrida em Goiânia

cadeirante percorre 860 km para ver corrida em Goiânia

‘Moto na veia’

Somando ida e volta, a viagem deve chegar a cerca de 1.720 quilômetros percorridos

Cadeirante percorre 860 km de moto adaptada para assistir ao MotoGP em Goiânia (Foto: reprodução)

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Luanna Marques

Apaixonado por motos desde a infância, Thiago Augusto, de 40 anos, percorreu cerca de 860 quilômetros para acompanhar de perto o MotoGP, em Goiânia. Cadeirante, ele saiu com amigos de Campo Grande (MS) conduzindo uma motocicleta adaptada chegou à capital na quinta-feira (18). No Autódromo de Goiânia Ayrton Senna, ele revelou a admiração e torcida pelo piloto espanhol Marc Márquez, heptacampeão e ídolo da categoria principal do motovelocidade.

“Valentino Rossi parou, né, então a torcida vai para o Marc. Temos o Diogo Moreira também, que está nos representando. Amor pela moto está na veia”, sublinhou Thiago ao Mais Goiás.

‘Moto na veia’

A paixão pela velocidade e pelo esporte foi o principal estímulo para que a distância entre as capitais do Matro Grosso do Sul e de Goiás fossem vencidas. Até hoje, esse foi o maior trajeto percorrido por Thiago no veículo adaptado. Considerando o caminho de volta, a viagem somará mais de 1,7 mil quilômetros.

“Nunca tinha rodado tudo isso. O máximo o que eu tinha feito eram 330 quilômetros, de Ponta Porã a Campo Grande. Mas todo fim de semana eu faço um ‘rolezinho’, que dá cerca de 220 quilômetros”, conta.

Aventura para o MotoGP em Goiânia

A viagem foi planejada com antecedência. Thiago garantiu hospedagem e ingressos e organizou o trajeto. Inicialmente, a ideia era fazer o percurso com o irmão, mas ele não pôde participar. O trajeto acabou sendo feito com amigos de Ponta Porã, que seguiram até Campo Grande para encontrá-lo. De lá, o grupo partiu rumo a Goiás, com uma parada em Rio Verde para descanso. No dia seguinte, concluíram o trajeto até Goiânia.

Ele explica que a motocicleta adaptada é utilizada principalmente para viagens. “Na cidade é mais cansativo por causa do trânsito. Mas na estrada é tranquilo”, afirma.

Paixão por motos

O interesse por motos surgiu ainda na infância, por volta dos 6 ou 7 anos, com brinquedos. A paixão se consolidou na adolescência, quando teve contato com as primeiras motocicletas de verdade. “A primeira moto que andei foi de um amigo, uma motinha de cross. Depois fui pegando gosto. Meu irmão tinha uma mobilete, e eu também aprendi a pilotar com ela, dando umas voltas pelo bairro”, relembra.

Fã do motociclismo, Thiago conta que sempre acompanhou as corridas, mesmo quando o acesso era mais limitado. “Antes era só em canal fechado, então era mais difícil. Hoje está mais fácil de acompanhar, mesmo que não seja sempre”, afirma.

A possibilidade de ver o MotoGP no Brasil reacendeu o entusiasmo. “Quando fiquei sabendo que ia ter aqui, liguei para o meu irmão e falei: ‘esse a gente não pode perder. Eu quero ir rodando’. Era uma chance que eu não podia deixar passar”, diz.

Cadeirante desde 2012

Thiago foi vítima de uma tentativa de assalto enquanto trabalhava com entregas, em 2012. Por volta das 11h30, em uma rua pouco movimentada, ele foi abordado por dois homens. Ao tentar fugir, acabou atingido por disparos, desde então, precisa da cadeira de rodas para se locomover.

Mesmo ferido, conseguiu acionar o socorro por conta própria. Ele ficou internado por cerca de uma semana e, após a alta, passou um período na casa de amigos antes de retornar para Ponta Porã, cidade onde nasceu. Anos depois, voltou a viver em Campo Grande, onde mora atualmente.

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Torcida declarada

Já em Goiânia, Thiago esteve no autódromo e aprovou a estrutura do evento. “Está tudo bem organizado, bem apresentável e acessível. Só a chuva que pode atrapalhar um pouco, mas a expectativa é a melhor possível”, destaca. Fã declarado do italiano Valentino Rossi, ele também acompanha o brasileiro Diogo Moreira.

A visita também marcou a primeira vez de Thiago na capital goiana, e a impressão foi positiva. “Sempre ouvi falar muito bem de Goiânia, e é tudo isso mesmo. A cidade é boa demais, muito legal. O calor é forte, mas é terra do sertanejo, né? Gostei muito”, conclui.

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