Aprovada em 1º lugar, jovem fez Medicina e Ensino Médio juntos
Aos 18 anos, Louise Caroline Morais de Araújo já acumula um currículo que impressiona qualquer vestibulando de Medicina. Natural do Rio Grande do Norte e criada em Manaus (AM), a estudante foi aprovada ainda no 2º ano do Ensino Médio em Medicina na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). No ano seguinte, conciliou o 3º ano do Médio com o primeiro semestre da faculdade. Depois, trancou o curso para tentar vagas nas principais universidades de São Paulo — e terminou 2025 com aprovações na USP, Unicamp, Unesp (em 1º lugar), Unifesp (em 2º), UFMG e Santa Casa, além de 980 pontos na redação do Enem.
Hoje matriculada na Faculdade de Medicina da USP, Louise resume a decisão ousada de trocar o “certo pelo duvidoso” em poucas palavras: “Vale a pena”.
Aprovada antes de terminar o Ensino Médio
Louise decidiu fazer o Enem ainda no 2º ano, sem grandes expectativas. A surpresa veio com nota suficiente para garantir vaga em Medicina na UFAM. Como ainda não havia concluído o Ensino Médio, a família recorreu à Justiça para que ela pudesse fazer o supletivo e efetivar a matrícula.
Em 2024, enquanto cursava o 3º ano, ela também frequentava as aulas da universidade. A rotina era intensa: manhãs divididas entre escola e faculdade, tardes dedicadas a trabalhos e estudos. “Foi bem emocionante o horário”, brinca, ao lembrar das primeiras notas baixas em Anatomia — algo inédito até então.
Trocar o certo pelo sonho
Mesmo já aprovada em uma federal, Louise sentia que queria ir além. Incentivada por um professor, prestou vestibulares em São Paulo e percebeu que, com preparação adequada, poderia conquistar outras oportunidades.
A decisão de trancar a UFAM e se mudar para a capital paulista para fazer cursinho foi vista por muitos como loucura. “Era literalmente trocar o certo pelo duvidoso”, afirma. Com bolsa no cursinho, apoio da família e o curso trancado como plano B, ela embarcou para um ano de dedicação total.
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Rotina intensa e disciplina
Em São Paulo, a estudante adotou uma rotina rígida. Chegava ao cursinho às 7h e permanecia até as 21h, assistindo às aulas e resolvendo listas de exercícios. A estratégia era simples: não acumular conteúdo.
“Se eu tinha uma matéria na semana, fazia os exercícios antes da próxima aula. Não deixava virar bola de neve”, explica. As pausas curtas entre as aulas, que antes pareciam perda de tempo, se tornaram essenciais para manter o ritmo.
Apesar da pressão — muito mais interna do que familiar — Louise também manteve momentos de lazer, amizades e o apoio do namorado, que também cursava Medicina. “Chegou uma hora que éramos os únicos que ficavam até as 21h. A gente se agarrava um ao outro para não desistir.”
Resultados e emoção nas aprovações
No fim do ano, vieram os vestibulares. Insegura após as provas, Louise chorava ao falar com os pais, temendo não alcançar o objetivo. Mas os resultados começaram a surgir: primeiro a Unicamp, depois USP, Unesp, Unifesp, Santa Casa e UFMG. Na Unesp, conquistou o 1º lugar.
A redação do Enem também foi destaque, com 980 pontos. Entre tantas opções, escolheu realizar o antigo sonho de estudar na USP.
As dicas de quem passou
Longe da imagem de “gênia prodígio”, Louise atribui o sucesso à constância e à estratégia. Para quem sonha com Medicina ou outro curso concorrido, ela deixa um conselho direto:
“Conheça seus limites e dê o seu máximo dentro deles. Descanse quando for preciso e não confunda ‘não se estressar tanto’ com ‘não estudar tanto’.”
Ela também reforça a importância de aproveitar as oportunidades. “Tudo que meus pais me proporcionaram eu pensava: vou fazer valer a pena.”
*Com informações do Guia do Estudante
