Alguns países começaram a tentar mediar fim da guerra com EUA e Israel, diz presidente do Irã

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta sexta-feira, 6, que alguns países começaram a se mobilizar para tentar mediar e pôr fim à guerra com Estados Unidos e Israel, mas advertiu que esses esforços devem se dirigir a quem iniciou as hostilidades.
“Alguns países começaram a tentar exercer uma mediação. Sejamos claros: estamos comprometidos com uma paz duradoura na região, mas não hesitaremos em defender a dignidade e a soberania de nossa nação”, disse Pezeshkian no X (ex-Twitter). “A mediação deve se dirigir a quem subestimou o povo do Irã e iniciou este conflito”, acrescentou.
Ele não especificou quais países entraram em contato, mas Catar, Turquia, Egito e Omã já haviam se oferecido como mediadores desde os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no último sábado. Dois dias atrás, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que este era um momento para a defesa do país, não para a diplomacia. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou ao canal americano NBC que não buscava um “cessar-fogo, nem negociações”.
A guerra começou enquanto o Irã participava de negociações em Omã sobre seu programa nuclear. Os ataques israelo-americanos de junho passado, um conflito aéreo de 12 dias, também começaram enquanto havia tratativas nucleares em andamento.
Declarações recentes de Washington e Tel Aviv não indicam disposição para ir à mesa de negociações em breve. Pete Hegseth, secretário de Defesa americano, afirmou na noite de quinta-feira 5 que o poder de fogo sobre o Irã estava prestes a “aumentar drasticamente”, enquanto as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) anunciaram uma nova fase intensificada da campanha na manhã desta sexta.
Em vários momentos desde o início da guerra, Pezeshkian afirmou que era tarde demais para o Irã negociar. De modo geral, o presidente iraniano tem dado mais ênfase à busca de uma nova liderança para o país, a fim de evitar uma mudança completa de regime — que é a preferência do governo israelense.
Apelos reformistas
Suas declarações ocorreram enquanto grupos reformistas, minoria esquálida na nação persa, defendiam que Teerã deveria nomear um líder supremo moderado, que reduzisse a polarização interna e pusesse à prova a propaganda americana que pinta o país como belicista. A Frente Reformista, que ajudou Pezeshkian a se tornar presidente há 18 meses, sugeriu que os ataques contra alvos não militares de Washington na região estavam diminuindo o apoio global ao Irã, segundo o jornal iraniano Donya-e-Eqtesad.
“A eleição de uma nova liderança para o regime poderia transmitir uma mensagem de paz e amizade ao mundo e, assim, fortalecer os protestos contra a guerra no cenário global”, afirmou a Frente Reformista, de acordo com a reportagem. “(A escolha) também deveria transmitir a mensagem do início de uma nova era no Irã; uma era que promete a participação de todas as correntes e tendências políticas e civis na governança do país.”
A Frente Reformista – cuja liderança foi alvo de prisões em massa recentes pelos serviços de segurança – declarou que o objetivo de Israel era o caos, a guerra civil e a desintegração do Irã. O grupo não identificou seu candidato preferido nem nomeou ninguém que, em sua opinião, possa prejudicar a unidade nacional.
A escolha do líder é feita por uma assembleia de 88 clérigos. Atualmente, o governo é administrado por um conselho tripartite temporário.
