Agia como ‘rei’, diz mãe de Daiane sobre conduta do síndico suspeito de matar corretora em Caldas Novas

Agia como ‘rei’, diz mãe de Daiane sobre conduta do síndico suspeito de matar corretora em Caldas Novas

REVOLTA

“Ele sentava no trono, literalmente. Queria tirar a Daiane daqui e conseguiu, mas trocou o trono dele por uma cela”

Agia como ‘rei’, diz mãe de Daiane sobre conduta do síndico suspeito de matar corretora em Caldas Novas (Foto: Jucimar de Sousa)

Nilse Alves, mãe da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, encontrada morta após mais de 40 dias desaparecida em Caldas Novas, disse que o síndico do prédio onde a filha morava agia como se fosse o “rei” do condomínio. Ele e o filho, que não teve a identidade divulgada, foram presos na quarta-feira (18), mesma data em que o corpo da vítima foi localizado.

Conforme Nilse, o homem “mandava e desmandava” no local, mas trocou “trono por uma cela”. “Ele era o rei aqui desse prédio. Mandava, desmandava, a caneta era dele. Ele sentava no trono, literalmente. Queria tirar a Daiane daqui e conseguiu, mas trocou o trono dele por uma cela”, afirmou em entrevista à TV Anhanguera. A família já enfrentava problemas com o homem há cerca de um ano, segundo ela.

Nos mais de 40 dias em que a filha ficou desaparecida, Nilse viveu tempos de angústia e teve medo de sequer poder sepultar Daiane. “A gente correu um risco muito grande de não encontrar o corpo dela. Foram 43 dias de um pré-luto, de medo, de desespero”

Para ela, a elucidação do crime traz revolta, apesar do alívio. ““É revolta de mãe. A gente tem fé, mas não tem como não se revoltar”, lamentou.

Investigação

A Polícia Civil trabalha com a tese de que a corretora Daiane Alves foi morta nas dependências do condomínio onde morava, em Caldas Novas. A investigação aponta que o corpo dela foi retirado do local em uma caminhonete. O crime teria ocorrido no subsolo do edifício, área sob controle direto do síndico preso, acusado como autor do assassinato na quarta-feira.

Embora o veículo tenha passado por uma limpeza minuciosa para apagar vestígios, assim como a cena do crime no subsolo, a linha de apuração conecta o uso do transporte à logística de descarte do cadáver. A reconstrução da dinâmica do crime indica que o subsolo foi escolhido por oferecer menor circulação de moradores e pontos com limitação de câmeras de segurança. Segundo a Polícia Civil, o local permitia controle de acesso e tempo suficiente para a remoção do corpo sem chamar atenção, especialmente após o desligamento do padrão de energia do prédio, episódio que também está sob apuração.

Peritos da Polícia Técnico-Científica realizaram exames no subsolo e no veículo utilizado, em busca de vestígios microscópicos que possam resistir à limpeza, como resíduos biológicos e fibras. A ausência de sinais visíveis, segundo os investigadores, não descarta a prática do crime no local, mas reforça a hipótese de uma tentativa deliberada de eliminação de provas.

Desaparecimento e investigação

A corretora Daiane Alves de Souza estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025, quando foi vista pela última vez ao entrar no subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas. Na quarta-feira (28), a Polícia Civil encontrou o corpo dela em uma região de mata no município. O síndico do edifício, Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos, e o filho dele, que não teve a identidade divulgada, foram presos.

O caso passou a ser apurado por uma força-tarefa formada pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas, o Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID) e a Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) pouco tempo após o desaparecimento. Durante a investigação, imagens do sistema de segurança do prédio tiveram papel central. Os registros mostram Daiane entrando no elevador e seguindo até o subsolo, local onde foi vista pela última vez. A partir desse ponto, não há imagens que indiquem que ela tenha deixado o condomínio.

Segundo as autoridades, o crime teria contado com a manipulação das câmeras para ocultar a ação. Um dia antes das prisões, a defesa de Cléber havia divulgado nota pública afirmando que ele não figurava formalmente como investigado no inquérito naquele momento. Os advogados sustentavam que o síndico vinha colaborando com as autoridades, fornecendo informações e acessos solicitados, e alegavam que eventuais conflitos com a corretora sempre teriam sido tratados por meios legais.

Saiba mais detalhes sobre o caso Daiane Alves:

Fonte Original Mais Goias

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *